PAPA CONVIDA ANGOLANOS À ESPERANÇA, RECONCILIAÇÃO E FÉ DURANTE MISSA PONTIFICAL
Durante a missa pontifical celebrada na Centralidade do Kilamba, em Luanda, no III Domingo da Páscoa, o Papa Leão XIV dirigiu uma mensagem de esperança ao povo angolano, destacando a necessidade de reconciliação, fé e reconstrução espiritual e social, à luz do Evangelho dos discípulos de Emaús.
O Santo Padre iniciou a sua homilia com palavras de gratidão, afirmando: “Queridos irmãos e irmãs, com um coração cheio de gratidão, celebro a Eucaristia entre vós. Graças sejam dadas a Deus por esta dádiva e obrigado a todos por este festivo acolhimento.”
Inspirando-se no Evangelho dos discípulos de Emaús, o Papa recordou a caminhada de dois seguidores de Jesus que, com o coração ferido e triste, abandonavam Jerusalém após a morte daquele em quem tinham depositado a sua esperança. Desiludidos e abatidos, regressavam às suas casas, correndo o risco de permanecer presos à dor e ao desânimo.
Relacionando esta passagem com a realidade de Angola, o Papa descreveu o país como “belíssimo e ferido”, marcado por fome, sede de justiça e desejo de paz e fraternidade. Recordou ainda a longa guerra civil que deixou um rasto de divisões, pobreza e sofrimento, alertando para o perigo de, tal como os discípulos, perder a esperança diante de uma história marcada pela dor.
O Santo Padre sublinhou, no entanto, a Boa Nova: Cristo está vivo, ressuscitou e caminha ao lado do seu povo, iluminando o caminho e abrindo os olhos para reconhecer a sua presença, concedendo a graça de recomeçar e reconstruir o futuro fundamentado no amor de Deus.
Dirigindo-se directamente aos angolanos, destacou que recomeçar exige, por um lado, a certeza da presença compassiva do Senhor e, por outro, o compromisso com a oração e a escuta da Palavra, capazes de fazer arder o coração dos fiéis.
O Papa alertou também para os riscos de certas práticas de religiosidade tradicional que, embora façam parte da cultura, podem misturar-se com elementos mágicos e supersticiosos que não contribuem para um autêntico caminho espiritual. Exortou os fiéis a permanecerem firmes nos ensinamentos da Igreja, confiando nos seus pastores e mantendo o olhar fixo em Jesus, presente na Palavra e na Eucaristia.
Na sua mensagem, apelou ainda a uma Igreja mais próxima do povo, capaz de ouvir o clamor dos que sofrem, sobretudo diante dos desafios sociais e económicos e das diversas formas de pobreza ainda existentes no país.
Segundo o Papa, Angola precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas, leigos e leigas comprometidos com o amor, o perdão e a solidariedade, capazes de construir espaços de fraternidade e paz.
Acrescentou que, com Cristo ressuscitado, o país é chamado a superar definitivamente as divisões do passado, erradicar o ódio e a violência e curar a chaga da corrupção, promovendo uma nova cultura de justiça e partilha, essencial para devolver a esperança, especialmente aos jovens.
Por fim, encorajou os angolanos a olharem para o futuro com esperança e coragem, confiando que Jesus ressuscitado caminha com eles. Confiou ainda o povo à protecção de Nossa Senhora da Muxima, pedindo que sustente todos na fé, na esperança e na caridade.
De lembrar que o Papa Leão XIV chegou a Angola no sábado, 18 de Abril, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda. A visita do Sumo Pontífice, que se estende até ao dia 21, está a gerar grande expectativa entre milhares de fiéis católicos e cidadãos em geral.





































