RECONFIGURAÇÃO DA REDE ELÉCTRICA NO ICOLO E BENGO LEVA ENERGIA A BAIRROS PERIFÉRICOS, MAS REVELA IMPASSES ESTRUTURAIS
Os bairros Kitondo, Zé Notícias, KM32 e Pacavira passam a beneficiar de novas ligações à rede da ENDE, no quadro de um processo de reorganização dos postos de transformação (PT) sob tutela estatal, uma medida que está a ser recebida com satisfação pelas comunidades, embora ainda coexistam zonas em situação de indefinição técnica e jurídica.
A expansão da rede eléctrica nos bairros periféricos representa um dos mais recentes passos da estratégia de reforço da cobertura energética levada a cabo pela ENDE.
No centro desta intervenção está a integração de postos de transformação anteriormente privados, agora absorvidos pelo sistema estatal, numa tentativa de garantir maior estabilidade, controlo e uniformização no fornecimento de energia.
No bairro Kitondo, a chegada da nova ligação eléctrica é descrita pelos moradores como uma mudança significativa na qualidade de vida. Para muitos, o acesso à energia estatal significa o fim de custos elevados e soluções improvisadas do passado.
O senhor Manuel, residente local, destaca que a nova realidade “vai aliviar as despesas domésticas e melhorar as condições de vida das famílias”.
Também o senhor Pedro Sonhi, de 53 anos, manifesta satisfação com a intervenção, considerando que a actuação da ENDE representa um passo importante na resposta às necessidades básicas da população.
Para o morador, a iniciativa deve ser acompanhada de continuidade e reforço, sublinhando que “é preciso que os líderes mantenham este tipo de acções que trazem benefícios directos ao povo”.
Nos bairros Zé Notícias e Pacavira, a solução passa pela instalação de novos postos de transformação sob gestão directa da empresa pública, acompanhando o crescimento urbano acelerado destas zonas. A intervenção procura responder à pressão demográfica e à expansão habitacional, que há muito ultrapassou a capacidade das infra-estruturas anteriores.
Situação semelhante ocorre no bairro KM32, onde um novo PT estatal substitui o equipamento anteriormente gerido por uma empresa privada, entretanto desactivada. Esta substituição reforça a tendência de recentralização da gestão energética, com o objectivo de reduzir desigualdades no acesso e melhorar a fiabilidade da rede.
Apesar dos avanços, persistem desafios em zonas específicas. Os bairros localizados no perímetro das torres de alta tensão encontram-se ainda em regime de “stand by”, devido a um impasse jurídico relacionado com a comercialização dos terrenos pela Zona Económica Especial a uma empresária chinesa, Qiu Fang Li, também conhecida como Maria, Esta situação tem dificultado a implementação de soluções definitivas, mantendo milhares de famílias numa situação de incerteza.





































