TRÊS ANOS APÓS MORTE DE “TCHUTCHU”: SERVIÇO DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DETÉM SUSPEITOS

Direcção Provincial do SIC no Zaire cumpre mandados do Ministério Público e aponta indícios de homicídio qualificado e associação criminosa. Caso remonta a 2023 e cruza-se com o mediático processo da menor Ema Rolando.

Imagem: DR/Ponto de Situação

O Serviço de Investigação Criminal (SIC), através da sua Direcção Provincial no Zaire, anunciou a detenção de dois cidadãos nacionais suspeitos de envolvimento na morte de João Francisco Rolando, conhecido por “Tchutchu”, ocorrida a 23 de Janeiro de 2023, no bairro Sagrada Esperança, município de M'banza Kongo, província do Zaire.

As detenções foram efectuadas em cumprimento de mandados emitidos pelo Ministério Público, no âmbito de uma investigação que se prolongou por mais de três anos. Entre os detidos está Afonso Mbiyavanga Nzuzi, efectivo do SIC Zaire, à data dos factos chefe do SIC Municipal do Nzeto, bem como Conceição João Pereira, de 37 anos.

De acordo com a nota oficial, os suspeitos são indiciados pelos crimes de associação criminosa e homicídio qualificado, em razão dos motivos, havendo, segundo o SIC, fortes indícios de que terão actuado como autores morais do crime.

Homicídio premeditado

As autoridades indicam que o homicídio terá sido premeditado com o objectivo de silenciar a vítima, que reclamava justiça pela morte da sua filha, Ema Pereira João Rolando, de 9 anos, num caso que abalou a opinião pública em 2020.

A menor foi inicialmente dada como tendo cometido suicídio, mas investigações posteriores apontaram para asfixia, alegadamente praticada pela progenitora e ex-esposa do malogrado, Conceição João Pereira, agora novamente detida, juntamente com outros implicados.

O cruzamento entre os dois processos lança novas sombras sobre um dos casos mais sensíveis da província do Zaire, onde justiça e verdade parecem ter caminhado, durante anos, a passo lento, mas não imóvel.

Histórico judicial

Importa referir que, no processo anterior relacionado com a morte da menor, Afonso Mbiyavanga Nzuzi foi condenado, em Agosto de 2024, a sete anos de prisão pelos crimes de favorecimento, abuso de poder, prevaricação e obstrução à justiça. Contudo, encontrava-se em liberdade, após interposição de recurso com efeito suspensivo.

Já Conceição João Pereira havia sido absolvida por insuficiência de provas.

Com as novas detenções, o processo ganha outro fôlego e reabre feridas antigas numa comunidade que há três anos aguarda respostas definitivas.

Os arguidos foram apresentados ao Ministério Público e subsequentemente ouvidos pelo juiz de garantias, para os devidos trâmites legais. O SIC assegura que as diligências prosseguem com vista à localização e detenção de outros eventuais envolvidos no crime.

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