SUSPENSÃO DAS LIGAÇÕES FERROVIÁRIAS ENTRE LOBITO, BENGUELA E HUAMBO AGRAVA CONSTRANGIMENTOS APÓS TRANSBORDO DO RIO CAVACO

As ligações ferroviárias entre Lobito, Benguela e Huambo encontram-se suspensas devido ao transbordo do rio Cavaco, situação que provocou danos severos em infra-estruturas ferroviárias, com destaque para a destruição parcial de pontes e a interrupção da circulação ao longo da linha dos Caminhos de Ferro de Benguela.

Imagem: Expansão

A interrupção dos serviços ferroviários surge na sequência de condições climatéricas adversas que resultaram no aumento significativo do caudal dos rios Cavaco e Halo, este último na região do Caimbambo, em Benguela. O fenómeno provocou danos estruturais relevantes, com especial incidência na ponte ferroviária do Cavaco, considerada um dos pontos mais críticos da linha.

No caso do rio Cavaco, a situação é descrita como particularmente grave, uma vez que o nível elevado das águas continua a impedir o acesso das equipas técnicas para avaliação completa e início dos trabalhos de reabilitação. Esta condição tem atrasado o levantamento dos danos reais e a definição de um plano de recuperação eficaz.

A paralisação da circulação ferroviária afecta directamente milhares de passageiros que dependem diariamente do comboio como principal meio de transporte entre as províncias de Benguela e Huambo. Para muitas famílias, o serviço dos Caminhos de Ferro de Benguela representa a opção mais económica e acessível, sobretudo num contexto de elevados custos de mobilidade rodoviária.

Com a suspensão das viagens, intensificam-se os constrangimentos sociais e económicos, desde o acesso ao trabalho até à circulação de bens essenciais. Nas estações intermédias, o cenário é de incerteza, com passageiros a aguardar informações sobre a reposição das ligações, enquanto as autoridades avaliam a extensão dos danos.

A reposição da circulação dependerá não apenas da reparação das pontes danificadas, mas também da estabilização do nível das águas, condição essencial para garantir a segurança das intervenções técnicas.

A linha dos Caminhos de Ferro de Benguela, historicamente uma das mais importantes do país, volta assim a ser testada por fenómenos naturais que expõem a vulnerabilidade de infra-estruturas críticas face às cheias sazonais, sobretudo em zonas atravessadas por rios de regime irregular.