ISABEL DOS SANTOS DIZ ESTAR DECEPCIONADA COM JOÃO LOURENÇO E AFIRMA QUE ANGOLA ESTÁ SEM RUMO
A empresária angolana Isabel dos Santos afirmou estar decepcionada com a governação do Presidente João Lourenço, considerando que Angola atravessa uma fase de falta de direcção política e económica. As declarações foram feitas numa entrevista recentemente publicada, na qual abordou o actual momento do país, os processos judiciais em que está envolvida e o seu percurso empresarial.
Num tom crítico, Isabel dos Santos manifestou preocupação com o rumo do país, defendendo que Angola necessita de uma visão mais clara para responder aos desafios económicos e sociais que afectam a população.
Segundo a empresária, existe um sentimento de desilusão relativamente às expectativas criadas em torno das reformas prometidas pelo actual Executivo.
As declarações surgem num contexto em que o debate sobre a governação, a diversificação da economia e o ambiente de negócios continua a dominar a agenda nacional.
Sem apresentar propostas concretas, Isabel dos Santos sustentou que o país precisa de incentivar uma cultura de iniciativa e empreendedorismo, valorizando aqueles que produzem riqueza e geram oportunidades.
“A minha mensagem é simples: continuem, façam mais, sejam mais. Angola precisa de mais pessoas a fazer, a trabalhar e a empreender”, afirmou.
A empresária voltou igualmente a abordar a sua situação judicial, reiterando que continua a responder a acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República no âmbito do chamado processo Sonangol. Isabel dos Santos insiste que as imputações que lhe são dirigidas são, na sua perspectiva, infundadas.
“Continuo a ser acusada pela Procuradoria-Geral da República de Angola, no Tribunal Supremo, no caso Sonangol, com acusações que, na minha perspectiva, são falsas”, declarou.
Ao recordar o seu percurso empresarial, destacou a ligação emocional à criação da Unitel, uma das maiores empresas de telecomunicações do país. Isabel dos Santos afirmou ter participado activamente na construção da identidade da operadora desde a sua fundação.
As declarações da filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos deverão reacender o debate político em torno do legado económico das últimas décadas e da estratégia adoptada pelo Executivo liderado por João Lourenço.
Enquanto os seus apoiantes consideram tratar-se de uma voz experiente sobre os desafios do investimento e do empresariado nacional, os críticos entendem que as suas posições devem ser analisadas à luz dos processos judiciais e das acusações que ainda correm nos tribunais angolanos.
Entre críticas à governação e a defesa do seu próprio percurso, Isabel dos Santos volta a colocar-se no centro da discussão pública, numa altura em que Angola continua confrontada com desafios estruturais ligados ao crescimento económico, à criação de emprego e ao reforço da confiança nas instituições.






































