CORRUPÇÃO DE COLARINHO BRANCO E O ESTADO DA POLÍTICA EM ANGOLA: “CADA UM ESTÁ COM O RABO PRESO”
O Homem do cadeirão máximo do PADDA-AP, considera selectiva a luta contra a corrupção em Angola e diz existir falta de criatividade política da parte do Governo.
Para Alexandre Sebastião André, presidente do PADDA-AP, a corrupção em Angola ultrapassa o âmbito económico: é um fenómeno sistemático, selectivo e profundamente enraizado entre as elites políticas e empresariais.
“Cada um está com o rabo preso. O combate à corrupção tornou-se canceroso. Nós não vamos encontrar a corrupção no mercado do Asa Branca, no Prenda, no Cazenga ou no Rangel. A corrupção é de colarinho branco, e eles todos se conhecem”, alertou.
Alexandre Sebastião criticou a flagrante disparidade de tratamento entre cidadãos comuns e poderosos: “Se te apanharem com cinco mil kwanzas, prendem-te ou até te enviam para São Nicolau. Mas entre eles… não conseguem, porque estão com rabos presos”.
A análise política estende-se à gestão económica do Executivo, apontando para uma dependência crónica das importações e uma miragem na diversificação da economia: “O governo importa demais, devido a esquemas para benefício próprio. Angola até está a desenvolver a agricultura, mas não apoia os produtores. Vivemos da dependência”, criticou.
O Presidente ironizou ainda decisões controversas em compras públicas: “Compraram camelos, mas onde estão as cabeças de bois que o País comprou do Togo?”, questionou, sublinhando o que considera falta de planeamento e criatividade estratégica.
Politicamente, Alexandre salientou o distanciamento do PADDA-AP em relação à Coligação Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral CASA-CE: “Estamos fora da CASA-CE porque entendemos que é o momento de mostrar as nossas linhas mestras e dar a conhecer as cores da nossa bandeira”, afirmou, reforçando a necessidade de clareza e autonomia política na construção de alternativas ao modelo vigente.
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