DIA DE ÁFRICA: INCLUSÃO E ESPERANÇA MARCAM CELEBRAÇÃO EM ESCOLA ESPECIAL

No âmbito das celebrações do Dia de África, assinalado com entusiasmo em todo o continente, alunos e professores de uma escola de ensino especial aproveitaram a data para reforçar a importância da inclusão social, da educação e da valorização das pessoas com deficiência visual.

Imagem: DR Ponto de Situação

O Dia de África foi vivido de forma especial numa escola que também é dedicada ao ensino de pessoas com deficiência visual, onde alunos e professores partilharam experiências marcadas pela superação e esperança num futuro melhor.

Entre sonhos, desafios e conquistas, os estudantes mostraram que a deficiência não limita capacidades, mas exige mais apoio e oportunidades da sociedade.

Márcia Alexandre, estudante das 5.ª e 6.ª classes, contou que os seus dias na escola têm sido positivos graças ao apoio constante da mãe, que todos os dias a acompanha até à instituição.

A jovem destacou ainda que tem aprendido diariamente o sistema braille e deixou uma mensagem de perseverança à sua encarregada de educação.

“Quero que a minha mãe continue forte, porque tudo o que fazemos hoje será importante para o nosso futuro”, afirmou emocionada.

Já António Eduardo, residente no bairro Rocha Padaria e estudante na Vila do Gamek, revelou que sonha tornar-se cantor. O aluno, também com deficiência visual, explicou que a convivência com colegas e professores tem sido boa e que frequenta disciplinas normais, como Língua Portuguesa e Matemática, tal como os restantes estudantes.

Segundo António, o seu tio ajuda-o diariamente no trajecto até à escola, levando-o até à paragem e colocando-o no táxi. No regresso, conta com o apoio dos colegas.

O jovem aproveitou igualmente a ocasião para incentivar as famílias que têm pessoas com deficiência visual em casa a procurarem escolas especializadas, defendendo que estas instituições existem para integrar e desenvolver capacidades.

“As escolas devem permitir que as pessoas com deficência tenham liberdade e confiança em si mesmos”, frisou.

Imagem: DR Ponto de Situação

Por sua vez, a professora Vitória Samba, especialista em braille, afirmou que trabalhar com alunos com necessidades educativas especiais tem sido uma experiência enriquecedora.

“Não apenas ensinamos, mas também aprendemos muito com eles. Contribuímos para a reabilitação, reintegração e socialização destes alunos”, explicou.

Apesar dos avanços, a docente reconheceu que ainda existem várias dificuldades, sobretudo a escassez de materiais específicos para o ensino especial, situação que condiciona o processo de ensino e aprendizagem.

Vitória Samba apelou ainda às famílias para que continuem a apoiar as crianças com deficiência, defendendo que a educação é o principal caminho para a inclusão social.

“Independentemente da condição física, todos devem ter acesso à escola para aprenderem a ler, escrever e defender-se na sociedade”, sublinhou.

Imagem: DR Ponto de Situação

Também o professor Nzola Nzambi Lema destacou que, trabalhar com alunos especiais é uma missão simultaneamente prazerosa e desafiante. Segundo o docente, muitos estudantes chegam desmotivados e sem esperança, incluindo os próprios encarregados de educação.

“Nós procuramos trabalhar o lado psicológico dos alunos para criar um ambiente favorável, e os resultados têm sido satisfatórios”, referiu.

O professor lamentou igualmente a falta de materiais didácticos adequados, apontando este factor como um dos maiores desafios enfrentados pelo ensino especial em Angola.

“Temos alunos que antes não sabiam ler nem escrever e hoje já conseguem interpretar textos. Com mais condições, eles podem ir ainda mais longe”, acrescentou.

Durante as celebrações, os participantes defenderam uma reflexão profunda sobre as condições das pessoas com deficiência no continente africano, apelando a uma inclusão mais efectiva e humana.

Para os docentes, a sociedade precisa compreender que qualquer pessoa pode, em algum momento da vida, enfrentar uma deficiência, razão pela qual o respeito, a aceitação e a solidariedade devem prevalecer.

Este ano, o continente africano celebra 63 anos de existência enquanto berço da humanidade. Entre conquistas e desafios, a data serviu também para reforçar a necessidade de valorização das culturas, tradições, costumes e, sobretudo, da dignidade de todos os cidadãos africanos, sem exclusão.

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