ASSALTO À AGÊNCIA DO BAI NA CIDADELA DESPORTIVA: SUSPEITO REVELA COMO PREPAROU A ACÇÃO DURANTE OITO MESES

Mais de uma centena de milhões de kwanzas, foi este o montante que, segundo as autoridades, motivou Edson Euclides Simão de Andrade, em conjunto com os comparsas Kadifuba, também conhecido por "Tira Pressa", Mário e leva Dois a planear o assalto à agência do Banco BAI, situada na Cidadela Desportiva, em Luanda.

Imagem: Folha 9

O ataque resultou na morte de um agente de segurança e deixou ainda um funcionário da instituição bancária ferido.

Durante a sua apresentação num video que circula nas redes sociais, Edson Euclides descreveu, em pormenor, a forma como terá preparado o assalto, revelando que o plano começou cerca de oito meses antes da execução do crime.

"Na minha rotina diária, quando ia levantar dinheiro no Banco BIC, no Rangel, muitas vezes não havia dinheiro e deslocava-me até à agência do BAI, na Cidadela. Numa quarta-feira, cheguei por volta das nove horas e deparei-me com o carro-forte a descarregar dinheiro".

O suspeito afirmou que foi precisamente naquele momento que começou a idealizar o assalto.

"O que me deixou admirado foi ver que o carro-forte vinha apenas com três seguranças e apenas um deles estava armado. A partir daí comecei a trabalhar nesse processo. Foram quase oito meses só a estudar os movimentos".

Segundo o próprio, durante vários meses limitou-se a observar a rotina da transportadora de valores.

"Percebi que o dinheiro era entregue todas as quartas-feiras. Havia dias em que traziam uma pasta do BAI e outros em que traziam duas. Na minha cabeça pensei que cada pasta podia transportar cerca de 50 milhões de kwanzas. Achei que aquele dinheiro podia mudar as nossas vidas."

Edson Euclides contou ainda que, três semanas antes da consumação do assalto, reuniu os restantes elementos do grupo para definir os últimos detalhes da operação.

"Três semanas antes do trabalho convidei os meus colegas para escolhermos o local onde deixaríamos as motorizadas. Estudámos tudo, porque quando o carro chegava um segurança descia e os outros ficavam em prontidão. Durante todo o tempo que observámos, não notámos qualquer alteração na rotina".

Relativamente à arma utilizada no assalto, o suspeito declarou que adquiriu na província de Benguela.

"Comprei a arma em Dezembro, por 350 mil kwanzas. Foi vendida por um homem conhecido por 'Chefe Bad', que me disseram ser funcionário da Polícia de Intervenção Rápida".

As autoridades investigam agora a proveniência da arma de fogo e procuram confirmar a identidade do alegado vendedor referido pelo suspeito.

O processo-crime prossegue sob investigação das autoridades competentes, que procuram igualmente apurar o envolvimento dos restantes integrantes do grupo e esclarecer todas as circunstâncias do assalto que culminou na morte de um segurança e deixou um funcionário bancário ferido.