INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL IMPULSIONA CAPACITAÇÃO FEMININA EM ANGOLA

No âmbito das actividades do mês dedicado à mulher, realizou-se uma grande imersão voltada exclusivamente para o público feminino, com foco na Inteligência Artificial (IA) e no seu impacto no mundo profissional. O evento procurou demonstrar como as mulheres angolanas podem utilizar esta tecnologia para aumentar a produtividade, inovar nos negócios e acompanhar a crescente demanda global por competências digitais.

Imagem: correiodeuberlandia.co

Num mundo cada vez mais competitivo em termos de tecnologias de informação, surge a questão: estarão as mulheres angolanas preparadas para acompanhar esta transformação digital? Foi com esse propósito que a organização promoveu uma imersão tecnológica destinada a levar conhecimento e incentivar o uso consciente da Inteligência Artificial.

Durante a actividade, a CEO da Wongo, Rossime Simões, destacou que o principal objectivo do encontro foi proporcionar formação e dar às mulheres maior liberdade para utilizarem a Inteligência Artificial de forma produtiva e eficaz no seu dia-a-dia.

Segundo Rossime Simões, a IA tem liderado o crescimento do mundo digital, mas muitas mulheres africanas ainda estão a ficar para trás por falta de acesso à informação e capacitação adequada.

Para a responsável, é fundamental que as mulheres compreendam que a Inteligência Artificial não veio para substituir as pessoas, mas sim para facilitar tarefas, libertar tempo e permitir que se concentrem na criação de novas ideias, negócios e oportunidades.

A CEO sublinhou ainda que as críticas em torno do uso da Inteligência Artificial surgem, muitas vezes, quando a tecnologia é utilizada de forma inadequada. Contudo, quando aplicada correctamente, pode tornar-se uma poderosa aliada para aquisição de conhecimento e desenvolvimento profissional, sobretudo através de formações adaptadas ao contexto angolano.

No final da sua intervenção, Rossime Simões deixou um apelo às mulheres para que não vejam a Inteligência Artificial apenas como uma tendência ou moda tecnológica, mas sim como uma verdadeira ferramenta de trabalho capaz de transformar rotinas, melhorar a produtividade e criar novas oportunidades de rendimento.

Entre as participantes, muitas partilharam experiências positivas com o uso da tecnologia. Chisola Neto, gestora de projectos, afirmou que a Inteligência Artificial tem contribuído significativamente para o seu crescimento profissional.

De acordo com a gestora, ainda existem muitos tabus quando se fala do uso da IA entre mulheres. Por isso, iniciativas como esta tornam-se fundamentais para incentivar uma utilização mais consciente e adequada das tecnologias digitais. Chisola destacou ainda que, no seu caso, a Inteligência Artificial tem permitido optimizar tarefas, reduzir o tempo de execução de várias actividades e melhorar a organização do trabalho.

O impacto da tecnologia também foi abordado na área da saúde. A médica de família Nicoline Silva explicou que os profissionais da saúde precisam acompanhar a evolução tecnológica para oferecer um atendimento cada vez mais completo aos pacientes.

Segundo a médica, actualmente fala-se cada vez mais numa abordagem holística do doente, que considera não apenas os sintomas físicos, mas também os aspectos mentais, psicológicos, sociais e profissionais do indivíduo. Neste sentido, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial podem ajudar os profissionais a analisar dados, melhorar diagnósticos e apoiar na tomada de decisões clínicas.

Vantagens da Inteligência Artificial:

Entre os principais benefícios da IA destacam-se o aumento da produtividade, a automatização de tarefas repetitivas, a análise rápida de grandes quantidades de informação e o apoio à tomada de decisões em diversas áreas como educação, negócios, saúde e gestão. A tecnologia também permite poupar tempo, facilitar a aprendizagem e criar novas oportunidades de empreendedorismo.

Desvantagens e desafios:

Apesar das vantagens, o uso da Inteligência Artificial também apresenta alguns desafios. Entre eles estão a dependência excessiva da tecnologia, o risco de desinformação quando as ferramentas são utilizadas sem verificação adequada e a necessidade de formação contínua para acompanhar a rápida evolução tecnológica.

Além disso, em países como Angola, questões como acesso à internet, infra-estrutura digital e literacia tecnológica ainda representam obstáculos para uma adopção mais ampla.

Ainda assim, especialistas defendem que o caminho passa pela capacitação e pelo uso responsável da tecnologia. Iniciativas como esta imersão dedicada às mulheres demonstram que, com acesso à formação e às ferramentas certas, as mulheres angolanas têm potencial para ocupar um papel cada vez mais activo na transformação digital e no desenvolvimento tecnológico do país.