JOÃO LOURENÇO SOBREVOA BENGUELA INUNDADA E REFORÇA RESPOSTA EMERGENCIAL APÓS TRAGÉDIA NO RIO CAVACO

O Presidente da República, João Lourenço, sobrevoou esta quarta-feira, 15 de Abril, as zonas afectadas pelas inundações na província de Benguela, numa acção de avaliação directa dos danos provocados pelo transbordo do rio Cavaco, que já causou mortos, desaparecidos e milhares de desalojados, ao mesmo tempo que intensificou a resposta governamental para conter novos riscos.

Imagem: Jornal de Angola

A visita presidencial, marcada por um sobrevoo de helicóptero sobre as áreas mais críticas, surge num momento de grande pressão social e humanitária, após o colapso de cerca de 300 metros do dique de contenção da margem esquerda do rio Cavaco, considerado o principal factor desencadeador das cheias que devastaram bairros inteiros da cidade de Benguela e arredores.

No terreno, João Lourenço acompanhou de perto os trabalhos emergenciais de reposição do dique, iniciados na segunda-feira, 13 de Abril,  no bairro da Seta Antiga, epicentro da tragédia. As obras, a cargo do consórcio Omatapalo e Casais Angola, decorrem sob forte pressão de tempo, tendo o Executivo definido como meta a reabilitação completa da infra-estrutura no prazo de uma semana, com vista a evitar novos transbordos em caso de aumento do caudal.

De acordo com o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, a intervenção não se limita à reposição do troço destruído, mas estende-se igualmente à identificação e correcção de outras zonas vulneráveis, incluindo a margem direita do dique, numa estratégia preventiva para mitigar futuras ocorrências.

Durante a deslocação, o Chefe de Estado visitou igualmente o centro de acolhimento provisório instalado no novo campismo, onde mais de quatro mil famílias encontram abrigo temporário. No local, recebeu informações detalhadas sobre as condições de alojamento e assistência social, bem como sobre o processo de reunificação familiar, com destaque para a localização de crianças desaparecidas, acção conduzida pelo Instituto Nacional da Criança (INAC), com apoio da Cruz Vermelha de Angola.

Segundo o último balanço oficial, as inundações provocaram 18 mortos, 11 desaparecidos e cerca de 20 mil pessoas desalojadas, afectando de forma severa bairros como Seta, Ilha, Calomanga, Condule, Cotel, Calomburaco, Santa Teresa, Compão, Massangarala, Quioxe e Tchipiandalo.

Imagem: Administração Municipal de benguela

Dados históricos indicam que o rio Cavaco, de regime intermitente, tem um longo registo de cheias destrutivas, com episódios marcantes em 1979, 1983, 2002 e 2015. Em 2002, uma das ocorrências mais severas, verificou-se o colapso da ponte sobre o rio e a destruição de centenas de habitações, enquanto em 2015 as chuvas intensas provocaram mortes, desalojamentos e danos significativos em infra-estruturas.

Mais recentemente, já no corrente ano, o transbordo do mesmo rio voltou a desalojar famílias no bairro Tchipiandalo, evidenciando a recorrência do problema e a necessidade de soluções estruturais duradouras.

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