ADALBERTO COSTA JÚNIOR VISITA ZONAS AFECTADAS PELAS INUNDAÇÕES NO RIO CAVACO EM BENGUELA

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, visitou as áreas afectadas pelas inundações na zona do rio Cavaco, província de Benguela, para constatar as condições técnicas das obras em curso e prestar solidariedade às populações desalojadas pelas últimas chuvas.

Imagem:DR/Ponto de Situação

Durante a visita, os técnicos explicaram que as obras no rio Cavaco são compostas por diferentes tipos de solos e rochas, mas têm sido afectadas pelo excesso de humidade e pela natureza solta do terreno, o que facilita a infiltração de água.

 Segundo os especialistas, deveria ter sido feita uma impermeabilização adequada da área, tendo em conta que as habitações se encontram a menos de 100 metros do leito do rio, o que aumenta o risco para as populações.

As intervenções no local decorrem desde 2008, no entanto, os técnicos referem que o trabalho actual tem sido apenas paliativo. Foi igualmente sublinhado que o assoreamento do rio aumenta a probabilidade de transbordo, contribuindo para a ocorrência de inundações recorrentes.

No terreno, foi defendida a necessidade de Angola reforçar a presença de especialistas em saneamento de águas, gestão de bacias hidrográficas e ordenamento do território, de forma articulada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. A melhoria das estruturas de contenção do rio foi apontada como essencial para evitar a repetição de desastres semelhantes.

Após a componente técnica, Adalberto Costa Júnior deslocou-se às zonas habitacionais afectadas, onde contactou directamente com os moradores desalojados.

A população recebeu-o com aplausos e gritos de apelo, relatando perdas significativas, casas destruídas e bens soterrados pela lama. Alguns moradores afirmaram viver no bairro há cerca de nove anos e disseram nunca ter recebido visita de autoridades locais após episódios de chuvas intensas.

Uma das residentes pediu ajuda urgente, incluindo o salvamento do seu veículo, referindo ser o único bem que lhe resta. Outros habitantes descreveram dificuldades extremas, como falta de água potável, casas destruídas e necessidade de permanecer em condições precárias após o desalojamento.

Os moradores também denunciaram que já haviam comunicado a situação às autoridades provinciais através de cartas, solicitando a sua retirada de uma zona de risco, sem que até ao momento tivessem obtido resposta.

Imagem: Administração Municipal de Benguela

Adalberto Costa Júnior afirmou que a sua visita teve como objectivo prestar solidariedade às populações e garantir que a situação não passe despercebida, sublinhando a necessidade de mobilização de meios para responder ao problema.

 O político referiu ainda que pretende levar as preocupações ao debate com as entidades responsáveis, de forma a evitar a repetição de tragédias semelhantes às já registadas noutras zonas do litoral de Benguela, como Lobito e Catumbela.

Segundo o dirigente, a falta de manutenção do rio, o assoreamento e a deficiência nas barreiras de contenção contribuem para a gravidade das inundações. Defendeu ainda que o problema não se deve apenas à falta de meios, mas também a questões de organização e gestão, apelando a maior coordenação entre as entidades responsáveis pela execução e fiscalização das obras.

O líder político acrescentou que a intervenção no rio Cavaco deve ser revista, uma vez que as actuais condições não garantem segurança, e defendeu soluções estruturais que evitem que situações semelhantes voltem a ocorrer.

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