NGUIMBI CERCADO PELO MEDO: OITO PESSOAS ASSALTADAS EM APENAS UMA SEMANA
Os moradores do bairro Nguimbi, no Zango 1, Município do Calumbo, província do Icolo e Bengo, vivem dias de tensão e insegurança, devido ao aumento de assaltos na via pública, a população reclama a ausência de patrulhamento policial, da escuridão em algumas zonas e da existência de uma lixeira que, segundo os moradores, tem servido de esconderijo para os presumíveis marginais.
A preocupação deixou de ser apenas uma sensação. Segundo relatos recolhidos no local, desde segunda-feira, 24 de Agosto, até sexta-feira, 28, pelo menos oito pessoas terão sido assaltadas em diferentes pontos do bairro, numa sequência de ocorrências que, para os moradores, demonstra o agravamento da criminalidade naquela circunscrição.
A população pede uma resposta urgente das autoridades. Entre as principais reivindicações estão o reforço do patrulhamento policial, a instalação de iluminação pública e, para alguns moradores, a criação de uma esquadra que permita uma intervenção mais rápida das forças de segurança.
“Não podemos viver com medo dos meliantes que decidiram fazer das nossas vidas um inferno. Já não temos noites tranquilas nem sono tranquilo, porque os amigos do alheio decidiram investir nas suas profissões, que é assaltar casas ou mesmo quem passa. Agora, eles não querem saber se é dia ou noite, eles assaltam”, desabafou um morador.
Mototaxista escapa à morte
Um dos episódios que mais marcou os moradores aconteceu na semana passada, junto a uma lixeira situada numa das zonas consideradas críticas do bairro.
Segundo testemunhas, um mototaxista terá sido surpreendido por indivíduos que pretendiam apoderar-se da sua motorizada. A situação ganhou contornos ainda mais graves quando um veículo surgiu no local.
“Quase que mataram aqui mesmo junto a esta lixeira um mototaxista. Queriam receber a moto. A sorte é que também vinha um carro e, quando os encandeou, eles, para não serem reconhecidos, porque estavam com os rostos descobertos, fizeram disparos para o ar. Por pouco matavam o mototaxista”, relatou um morador.
O episódio aumentou a sensação de insegurança entre os habitantes, sobretudo entre aqueles que, por razões profissionais, são obrigados a circular durante a noite.

Imagem: DR Ponto de Situação
“É preciso união entre os moradores”
Cateto Salomão, morador do bairro e mototaxista, entende que a situação exige uma intervenção conjunta entre a comissão de moradores, a Polícia Nacional e as comunidades dos bairros vizinhos.
Para o mesmo, a criminalidade não poderá ser combatida apenas através de denúncias isoladas, sendo necessária uma estratégia comunitária capaz de identificar os principais focos de insegurança e impedir que os presumíveis marginais encontrem espaço para actuar.
“Temos que fazer alguma coisa com as comissões de moradores dos bairros que fazem fronteira com o bairro Nguimbi, para que consigamos combater estes jovens. Mas também iremos precisar muito mais da participação da Polícia Nacional”, defendeu.
O mototaxista chama igualmente a atenção para uma realidade que, segundo afirma, dificulta o combate à criminalidade: a resistência de algumas famílias em denunciar os próprios filhos.
“Muitos pais estão a reclamar, mas não aceitam denunciar os jovens, porque, na sua maioria, são filhos deles. É preciso ter união se queremos acabar com a delinquência, para amanhã não sermos responsabilizados caso se queime o primeiro que for apanhado nos próximos dias”, alertou.
A declaração revela uma preocupação que ultrapassa a questão da segurança pública. Para os moradores, a criminalidade juvenil começa também dentro das próprias comunidades e famílias, onde o silêncio e a protecção de suspeitos podem contribuir para a continuidade das práticas criminosas.
Escuridão e lixeira facilitam actuação dos marginais
Dona Antonieta, de 45 anos, aponta a falta de iluminação como uma das principais fragilidades do bairro.
A moradora defende a retirada da lixeira e a colocação de lâmpadas nos principais postes de iluminação pública, por considerar que uma zona mais iluminada dificultaria a acção dos criminosos.
“Devem também vir tirar esta lixeira e colocar lâmpadas nos postes principais, porque, quando há muita luminosidade, eles não conseguem fazer absolutamente nada”, afirmou.
Para a moradora, a actual configuração daquele espaço oferece condições favoráveis aos assaltantes.

Imagem: DR Ponto de Situação
“Esta lixeira, de noite, é muito complicada. Como esta zona é muito escura e tem muitas árvores, eles aproveitam-se”, explicou.
A combinação entre escuridão, árvores, lixeira e movimento nocturno preocupa particularmente os habitantes. O local, segundo relatos, tornou-se num dos pontos onde os moradores evitam circular sozinhos depois de determinada hora.
Bares e movimento nocturno também preocupam
Outro factor apontado pela população está relacionado com a existência de bares nas proximidades.
Os moradores reconhecem que os estabelecimentos comerciais geram movimento e actividade económica, mas entendem que a concentração de pessoas durante a noite, associada à ausência de patrulhamento policial, pode facilitar a actuação de indivíduos envolvidos em práticas criminosas.
“Desde segunda-feira até ontem foram assaltadas um total de oito pessoas. A situação piora cada dia que passa. Com estes bares próximos, há muita movimentação e eles fazem das suas”, denunciou um dos moradores.
A preocupação aumenta quando se considera que muitos dos assaltos, segundo os relatos, acontecem em zonas de passagem obrigatória para trabalhadores, mototaxistas e outros cidadãos que regressam às suas residências depois do anoitecer.
Moradores pedem acção antes que a situação piore
Perante o cenário descrito pelos habitantes, a comunidade do Nguimbi teme que a sucessão de assaltos possa evoluir para situações de maior violência.
Os moradores defendem que a resposta não deve limitar-se à actuação policial depois da ocorrência dos crimes. Para eles, é necessário apostar na prevenção, através do patrulhamento regular, iluminação das zonas críticas, remoção da lixeira, mobilização comunitária e maior colaboração entre as famílias e as autoridades.
“A criminalidade está em alta, mas, caso haja colaboração entre nós, moradores, comissão de moradores e Polícia, teremos uma Nguimbi boa para se andar”, propôs Dona Antonieta.
A população quer voltar a caminhar pelas ruas sem olhar constantemente para trás. Quer que os mototaxistas possam trabalhar sem receio de perder as suas motorizadas e, sobretudo, que as famílias possam dormir sem o temor de que a próxima vítima seja alguém próximo.
No Nguimbi, o pedido é simples: mais presença policial, mais iluminação, menos espaços abandonados e maior união comunitária.
Enquanto aguardam por respostas concretas, os moradores continuam a conviver com uma pergunta que se repete ao cair da noite: quem será a próxima vítima?





































