PEREGRINAÇÃO AO MONTE KAILASH DEIXA CERCA DE 100 INDIANOS DESAPARECIDOS

Cerca de 100 peregrinos indianos continuam desaparecidos na região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete, após uma avalanche e inundações atingirem uma rota utilizada por milhares de fiéis rumo ao Monte Kailash, considerado um dos locais mais sagrados do hinduísmo.

Imagem:tupi

Entre os 341 estrangeiros inicialmente dados como desaparecidos, uma parte significativa encontrava-se na região para participar numa peregrinação religiosa ao Monte Kailash, situado no Tibete, território administrado pela China.

Com 6.638 metros de altitude, a montanha é considerada, segundo a tradição hindu, a morada do deus Shiva. O local possui igualmente um profundo significado espiritual para os seguidores do budismo tibetano, do jainismo e da religião bon.

Uma das principais rotas de peregrinação passa pelo Nepal, seguindo até à região de Rasuwa e ao posto fronteiriço de Rasuwagadhi, antes da entrada no território tibetano. Foi precisamente nesta zona que as avalanches e inundações provocaram destruição e deixaram dezenas de peregrinos sem contacto com familiares e organizadores das viagens.

Segundo informações divulgadas à imprensa internacional, 77 membros de grupos organizados por uma fundação espiritual indiana encontravam-se numa zona próxima do centro de imigração na fronteira entre o Nepal e o Tibete quando ocorreu a calamidade. Até ao momento, persistem dificuldades no estabelecimento de contacto com parte do grupo.

O Monte Kailash nunca foi oficialmente escalado. Apesar de terem sido registadas tentativas nas décadas de 1920 e 1930, não existe qualquer confirmação de que alguém tenha alcançado o seu topo. Actualmente, as autoridades chinesas proíbem a escalada da montanha, em respeito pelo seu valor religioso e espiritual.

Além do monte, os peregrinos visitam também o lago Manasarovar, situado a cerca de 35 quilómetros, outro importante ponto de devoção religiosa.

Para os hindus, o Kailash está associado a Shiva, à deusa Parvati e a outras divindades. Os budistas tibetanos relacionam a montanha com o Monte Meru, considerado o centro espiritual do universo em várias tradições. Já os seguidores da religião bon acreditam que o local é habitado por centenas de divindades, enquanto os jainistas o associam à libertação espiritual de uma das principais figuras da sua fé.

Enquanto prosseguem as operações de busca e a avaliação dos danos causados pela avalanche, a tragédia volta a chamar atenção para os riscos enfrentados pelos milhares de peregrinos que, todos os anos, percorrem as difíceis rotas dos Himalaias em direcção a um dos lugares mais sagrados da Ásia.

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