TAAG SOB PRESSÃO: CARLOS ROSADO EXIGE CONTAS E QUESTIONA MILHÕES INJECTADOS NA COMPANHIA
A situação financeira da TAAG – Linhas Aéreas de Angola voltou a levantar dúvidas e críticas no espaço público. O economista e analista Carlos Rosado de Carvalho defendeu nesta sexta-feira, 28, no programa “Economia sem Macas”, que a companhia de bandeira deve apresentar as suas contas de forma clara, para permitir que os angolanos conheçam a verdadeira situação financeira da empresa.
Na análise apresentada pelo economista sobre a situação financeira da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, na Rádio MFM, Carlos Rosado sublimhou que a questão central não está apenas nas dificuldades financeiras da TAAG, mas sobretudo na necessidade de maior transparência sobre a gestão dos recursos colocados à disposição da companhia.
O economista, questionou como uma empresa considerada estratégica para o país pode continuar a enfrentar dificuldades depois de ter beneficiado de sucessivas intervenções financeiras do Estado.
Segundo o mesmo, a TAAG chegou a registar, em 2011, perdas avaliadas em cerca de 2,2 mil milhões de dólares, enquanto os problemas financeiros da companhia continuaram a marcar o seu percurso ao longo dos anos.
Milhões injectados, mas resultados continuam a preocupar
Um dos pontos mais fortes levantados por Carlos Rosado de Carvalho está relacionado com os valores que, segundo a sua análise, foram injectados pelo Estado na companhia.
O economista fala em cerca de 4,5 mil milhões de dólares colocados na TAAG e considera difícil compreender que uma empresa que recebeu um volume tão elevado de recursos públicos continue a enfrentar dificuldades e, ao mesmo tempo, não apresente de forma suficientemente clara os seus relatórios de contas.
A pergunta colocada foi directa: como é possível uma companhia receber milhares de milhões de dólares do Estado e continuar numa situação financeira considerada preocupante?
Para Carlos Rosado, a resposta deve estar nos números.
Mais do que declarações ou justificações, defendeu ser necessário que a TAAG apresente as contas de forma transparente, permitindo saber quanto recebeu, onde foram aplicados os recursos, quais são as receitas, quais são as despesas, o nível de endividamento e os resultados alcançados.

Por que razão a taag não consegue superar as dificuldades?
O economista também questionou a evolução financeira da companhia depois de 2019, período em que várias empresas enfrentaram dificuldades decorrentes de um ambiente económico particularmente adverso.
A questão levantada é saber por que razão a TAAG continua a apresentar dificuldades enquanto outras empresas conseguiram recuperar ou adaptar-se às novas condições económicas.
A análise coloca em causa a necessidade de compreender profundamente a estrutura de custos da companhia, o modelo de gestão, a rentabilidade das rotas, a política de frota e os compromissos financeiros assumidos.
Sem acesso a contas detalhadas e actualizadas, torna-se difícil para o público avaliar se os problemas resultam de custos operacionais elevados, decisões de investimento, dívida acumulada, baixa rentabilidade ou de uma combinação de vários factores.
Conflito entre pilotos e direcção
A situação financeira da companhia surge igualmente num momento em que os pilotos pretendem discutir questões salariais com a direcção da empresa.
Segundo as informações apresentadas no programa, os pilotos pretendem sentar-se com a administração para discutir os seus salários, enquanto a direcção não estará disponível para proceder ao aumento pretendido.
A questão salarial acrescenta uma nova dimensão ao debate sobre a situação da companhia.
De um lado estão os trabalhadores, que procuram melhorar as suas condições remuneratórias; do outro, está uma empresa que enfrenta a necessidade de controlar custos e garantir sustentabilidade financeira.
É neste contexto que a transparência das contas ganha ainda maior importância.
“É preciso saber onde está o dinheiro”
Na leitura de Carlos Rosado de Carvalho, não é suficiente afirmar que a companhia está a atravessar dificuldades financeiras.
Para o economista, enquanto a TAAG não apresentar de forma clara os seus relatórios de contas, continuará a existir espaço para dúvidas sobre a real situação da empresa e sobre a utilização dos recursos públicos nela aplicados.
A exigência de transparência ganha particular relevância por se tratar de uma companhia de bandeira, cuja actividade tem impacto não apenas económico, mas também estratégico, na ligação de Angola ao exterior e na mobilidade dentro do território nacional.
Uma empresa estratégica sob escrutínio
A TAAG desempenha um papel relevante na aviação comercial angolana e na ligação do país a diferentes mercados.
Por isso, o debate sobre a sua sustentabilidade ultrapassa a própria companhia.
Quando o Estado injecta recursos numa empresa pública ou estratégica, existe uma expectativa legítima de que os cidadãos possam conhecer os resultados dessa intervenção.
Quanto dinheiro foi aplicado? Em que foi gasto? Quanto à empresa produz? Quais são os seus custos? Que dívidas possui? Quais são as rotas rentáveis? Quais são as deficitárias? E, sobretudo, quando poderá a companhia tornar-se financeiramente sustentável?
São perguntas que, para Carlos Rosado de Carvalho, precisam de encontrar resposta nos relatórios financeiros da TAAG.





































