ANALISTA POLÍTICO CONSIDERA POSITIVO LEGADO DE MARCELO REBELO DE SOUSA À FRENTE DE PORTUGAL

Ao fim de dez anos no Palácio de Belém, o analista político Hamilton João fez uma avaliação positiva dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente de Portugal.

Imagem: Leal Mundunde

Na sequência das eleições realizadas recentemente, António José Seguro toma posse como novo Chefe de Estado, numa cerimónia prevista para 9 de Março.

Convidado a analisar o desempenho do Presidente “dos afectos”, como ficou conhecido Marcelo Rebelo de Sousa, Hamilton João afirmou que o político adoptou, ao longo do seu mandato, um estilo comunicativo, dialogante e de forte proximidade com os cidadãos.

“Trouxe uma forma diferente de estar na Presidência. Foi um Presidente muito interactivo, muito presente nas comunidades, que cultivou uma relação aberta com os órgãos de comunicação social”, reconheceu o analista.

Em entrevista ao Portal Ponto de Situação, o especialista sustentou que a postura de Marcelo Rebelo de Sousa permitiu reforçar a ligação entre a Presidência e os cidadãos portugueses.

Segundo o analista, o estilo adoptado entre 2016 e 2026 contribuiu para a construção de uma imagem institucional mais humanizada.

Segundo mandato marcado por tensão política

Hamilton João considera que o primeiro mandato foi mais estável e tranquilo, em comparação com o segundo.

Ao justificar o seu posicionamento, defendeu que, nos primeiros cinco anos, as acções do Chefe de Estado favoreceram uma relação institucional equilibrada entre a Presidência, o Governo e o Parlamento, o que facilitou a cooperação entre os órgãos de soberania.

Já o segundo mandato ficou marcado por maior instabilidade política, circunstância que levou Marcelo Rebelo de Sousa a recorrer, por duas vezes, ao poder constitucional de dissolução do Parlamento.

A primeira dissolução ocorreu em 2021, após os parlamentares darem nota negativa ao  Orçamento do Estado, decisão que conduziu à convocação de eleições antecipadas. A segunda teve lugar em 2023, na sequência da crise política envolvendo o então primeiro-ministro, António Costa, alvo de investigações judiciais.

Segundo Hamilton João, estas decisões visaram assegurar a estabilidade governativa e reforçar a legitimidade política num contexto de tensão institucional.

“O segundo mandato foi mais exigente, mas Marcelo soube gerir a pressão e actuar quando entendeu ser necessário para preservar o normal funcionamento das instituições”, defendeu.

Lições para África

Relativamente às eleições recentemente realizadas em Portugal, o analista destacou o processo eleitoral como exemplo de maturidade democrática, evidenciando o respeito entre candidatos, a aceitação dos resultados por parte dos derrotados e o funcionamento regular das instituições.

“Enquanto africanos, devemos observar como decorrem os processos eleitorais em democracias consolidadas, onde o respeito institucional e a aceitação dos resultados fortalecem o sistema político”, afirmou.

Hamilton João manifestou ainda a expectativa de que as lições retiradas deste pleito eleitoral, cuja segunda volta teve lugar no dia 8 de Fevereiro, com vitória de António José Seguro sobre André Ventura, possam inspirar os países africanos, onde, com frequência, surgem contestações aos resultados eleitorais.

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