EQUADOR MOBILIZA CERCA DE 75 MIL MILITARES EM “GUERRA” CONTRA CARTÉIS DE DROGA COM APOIO DOS ESTADOS UNIDOS

O Governo do Equador iniciou uma nova fase da ofensiva contra cartéis de droga e o crime organizado, mobilizando cerca de 75 mil militares e forças de segurança em várias regiões do país. A operação, que decorre durante o mês de Março, conta com apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos e inclui medidas como toque de recolher em províncias consideradas estratégicas para o narcotráfico.

Imagem: Stringer/AFP

A ofensiva foi anunciada pelo Presidente do Equador, Daniel Noboa, que classificou a acção como parte de uma nova etapa na luta contra os cartéis de droga e organizações criminosas que operam no país. As operações militares começaram no início de Março e envolvem cooperação directa entre as forças equatorianas e estruturas militares norte-americanas.

Segundo o Governo equatoriano, as operações contam com apoio do Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas actividades militares norte-americanas na América Latina e Caraíbas. O objectivo é combater o chamado “narco-terrorismo” e desmantelar redes de tráfico de droga que utilizam o território equatoriano para exportar cocaína para mercados internacionais.

Como parte das medidas de segurança, foi decretado toque de recolher nocturno entre as 23h00 e as 05h00, entre os dias 15 e 30 de Março, em várias províncias consideradas das mais violentas do país, incluindo Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro. As autoridades pediram aos cidadãos que permaneçam em casa durante esse período para facilitar as operações militares e reduzir riscos para a população.

De acordo com autoridades de segurança, o Equador tornou-se um importante ponto de trânsito para o narcotráfico na América do Sul. Cerca de 70% da droga produzida na Colômbia e no Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, passa pelo território equatoriano antes de seguir para a Europa, América Central e outros mercados internacionais.

A cooperação entre Quito e Washington inclui partilha de informação, coordenação em aeroportos e portos marítimos e operações militares contra grupos criminosos. Embora as tropas norte-americanas prestem apoio técnico e logístico, detalhes específicos das operações permanecem classificados pelas autoridades equatorianas.

Nos últimos anos, o Equador tem enfrentado um aumento significativo da violência associada ao narcotráfico, com disputas entre organizações criminosas pelo controlo de rotas e portos estratégicos. A nova ofensiva militar faz parte da estratégia do Governo para recuperar o controlo da segurança interna e reduzir o poder dos cartéis no país.

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