JOÃO LOURENÇO APERTA CONTROLO SOBRE ALTOS DIRIGENTES E DIVIDE OPINIÕES: “NINGUÉM PODE VIAJAR À TOA”

A nova medida do Presidente da República, João Lourenço, que obriga ministros, generais, dirigentes da Inteligência, oficiais superiores da Polícia Nacional e outras altas figuras do Estado a obterem autorização presidencial antes de viajarem ao exterior do país, está a gerar forte debate entre os angolanos.

Imagem: JA

A determinação consta do Despacho Presidencial n.º 196/26, publicado no Diário da República de 21 de Maio de 2026, e estabelece um controlo mais rigoroso sobre deslocações internacionais de titulares de cargos políticos e responsáveis de sectores estratégicos do Estado.

Segundo o documento, passam igualmente a depender de autorização do Chefe de Estado as viagens para actividades científicas, empresariais, comemorativas ou festivas que não estejam previamente programadas ou aprovadas formalmente.

O Executivo sustenta que a decisão visa reforçar a disciplina institucional, garantir maior coordenação governativa e assegurar alinhamento estratégico na representação do Estado angolano no exterior.

No entanto, a medida já divide opiniões.

Para Jorge Simão, taxista de 33 anos, a decisão presidencial levanta dúvidas quanto ao momento em que surge e ao contexto político actual.

“Temos o nosso Presidente, que também é general. Então a questão é por que esta medida só aparece agora? Durante muitos anos vimos dirigentes a realizarem viagens com familiares, amigos e até situações que geraram muita crítica pública. Acho que o país precisa de analisar isso com profundidade”, afirmou.

O cidadão entende ainda que a decisão poderá estar ligada ao actual ambiente político interno.

“Parece haver conflitos nos bastidores e penso que esta medida também procura evitar movimentações políticas e aproximações externas numa fase delicada”, considerou.

Em sentido contrário, António de Oliveira Costa Mendonça, estudante de Direito, considera que a iniciativa presidencial é necessária e adequada ao actual contexto nacional.

“Quem aceita exercer cargos de grande responsabilidade deve compreender que não pode simplesmente sair do país sem autorização prévia”, defendeu.

O estudante entende que Angola atravessa um período que exige maior controlo e presença das principais figuras do Estado.

“Estamos a aproximar-nos de momentos politicamente importantes. O exterior acompanha o que acontece no país. Os altos dirigentes precisam estar presentes e focados. A Pátria deve estar em primeiro lugar”, afirmou.

A nova orientação presidencial surge numa fase marcada por maior atenção sobre a gestão do Estado e o funcionamento das instituições públicas, levantando um debate entre disciplina institucional, controlo administrativo e equilíbrio político no país.

Enquanto uns consideram a medida necessária para fortalecer a governação, outros defendem que o novo regulamento abre espaço para reflexões mais amplas sobre transparência, autonomia institucional e exercício do poder político em Angola.