QUASE CINCO DÉCADAS DEPOIS, FAMÍLIAS RECEBEM RESTOS MORTAIS DE VÍTIMAS DO 27 DE MAIO PARA UM FUNERAL CONDIGNO

Quarenta e nove anos depois dos acontecimentos ligados ao 27 de Maio de 1977, várias famílias angolanas receberam, esta sexta-feira, 22, no Kilamba, em Luanda, certidões de óbito e restos mortais de algumas das primeiras vítimas identificadas numa vala comum localizada no Cemitério do 14, num acto marcado pela dor, memória e reconciliação nacional.

Imagem: Expansão

A iniciativa enquadra-se nos trabalhos desenvolvidos pela Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), órgão criado para localizar, identificar e prestar homenagem às vítimas dos conflitos políticos registados entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

Após exames de ADN, foram identificadas vítimas como José António Amaro, José Alberto Menezes, Pedro Martins de Sousa, Adriano Cassule, Alberto Fernandes e Jorge Gonga Sombo, entre outras personalidades cujos restos mortais serão sepultados este Sábado, às 09h00, no Cemitério do Benfica, em Luanda.

Para muitas famílias, trata-se de um momento aguardado durante décadas, que permitirá finalmente realizar cerimónias fúnebres consideradas dignas para os seus entes queridos.

A cerimónia de entrega das certidões e dos restos mortais foi presidida pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, igualmente coordenador da CIVICOP, e decorreu no mesmo espaço onde, em Abril último, foi realizada uma missa campal em memória das vítimas.

Em função da dimensão histórica e simbólica do momento, Angola assinala esta sexta-feira um dia de Luto Nacional, medida igualmente observada nas missões diplomáticas angolanas no exterior, conforme decreto presidencial.

Sob o lema "Abraçar e Perdoar", o processo de reconciliação nacional procura responder a uma das páginas mais sensíveis da história contemporânea de Angola, promovendo memória, dignidade e aproximação entre os angolanos