JOÃO LOURENÇO DEFENDE UNIDADE AFRICANA E ALERTA PARA RISCOS DE UMA NOVA DESORDEM MUNDIAL
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, afirmou esta terça-feira, 12 de Maio, em Argel, que Angola e Argélia mantêm uma amizade sólida construída ao longo da história, marcada pela luta comum contra o colonialismo e pela defesa dos interesses estratégicos do continente africano.
Ao discursar no Parlamento argelino, no âmbito da sua visita oficial de três dias àquele país do norte de África, João Lourenço evocou o massacre de 8 de Maio de 1945, sublinhando a necessidade de preservar a verdade histórica diante das tentativas de “branquear os horrores do colonialismo”.
Para o Chefe de Estado angolano, África deve manter viva a memória das atrocidades cometidas durante a ocupação colonial, como forma de proteger a dignidade dos povos e impedir a manipulação da história.
Num discurso de forte conteúdo político e diplomático, o estadista angolano destacou que as trocas de visitas ao mais alto nível entre Luanda e Argel visam aprofundar os mecanismos de cooperação bilateral, identificar interesses comuns e criar bases sólidas para romper o ciclo do subdesenvolvimento que ainda afecta muitos países africanos.
“Com a troca de visitas do mais alto nível, procuramos identificar melhor os nossos interesses, as áreas de cooperação e os mecanismos da sua implementação, com vista a rompermos o ciclo do subdesenvolvimento rumo ao progresso e à prosperidade das nossas nações”, afirmou.

João Lourenço defendeu igualmente uma maior convergência estratégica entre os Estados africanos em torno dos principais desafios internacionais, considerando que Angola e Argélia partilham posições comuns sobre questões centrais que preocupam o continente e o mundo.
O Presidente angolano apontou como prioridades globais as alterações climáticas, a reforma urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a necessidade de maior representatividade africana nas instituições financeiras internacionais.
Na sua visão, o actual sistema internacional continua profundamente desequilibrado e pouco favorável aos interesses do continente africano.
Num dos momentos mais marcantes da sua intervenção, João Lourenço alertou para os perigos da crescente imposição de interesses por parte das grandes potências mundiais, através da força e da pressão política, à margem das normas que regulam as relações internacionais.
“A lógica de que quem tem mais força impõe a terceiros a sua vontade e interesses contra todas as normas que regem as relações internacionais está a tornar-se numa prática perigosa e susceptível de conduzir o mundo para uma conflagração global com consequências dramáticas”, advertiu.
O estadista defendeu, por outro lado, que África deve assumir uma posição mais firme e estratégica no cenário internacional, aproveitando os seus recursos naturais como instrumento de negociação equilibrada com os grandes actores mundiais.
Segundo João Lourenço, o continente deve deixar claro que os seus recursos podem ser acessíveis ao mundo, mas dentro de parcerias reguladas pelas normas do comércio internacional e assentes no respeito mútuo, na soberania dos Estados e nos interesses dos povos africanos.
A visita do Presidente angolano à Argélia, considerada histórica por ser a primeira de um Chefe de Estado angolano àquele país, reforça o reposicionamento diplomático de Angola no continente e o interesse de Luanda em consolidar alianças estratégicas com países influentes do norte de África.





































