QUANDO O ÓDIO VIRA CONSELHO: QUE SOCIEDADE ESTAMOS A CONSTRUIR?
Nos últimos dias, tive acesso a uma frase de uma senhora, cujo nome prefiro não citar, que aconselhava as mulheres a magoarem os homens sempre que tivessem oportunidade para tal.
Reescrevo, de forma sintética, para que o estimado leitor compreenda o teor da mensagem:
Esta declaração mereceu aplausos de muitas mulheres, mas também o repúdio de outras, que não aceitam conselhos desta natureza.
Meus senhores, urge reflectir profundamente sobre o tipo de mensagens que escolhemos absorver e, sobretudo, colocar em prática. Infelizmente, muitas pessoas têm sucumbido a discursos que promovem o ódio, que incentivam à violência e que encorajam outros a repetir erros já cometidos por quem aconselha.
Mas a questão impõe-se: por que razão magoar um homem? Se um homem falhou, deve a resposta ser a vingança? Não estaremos, assim, a alimentar um ciclo de violência? Estaremos ainda presos à lógica da lei de talião?
Incentivar alguém a magoar o outro é, no fundo, lançar gasolina sobre um fogo que já arde. Quando as consequências surgirem, porque surgem sempre , quem aconselhou dificilmente estará presente para assumir responsabilidades.
Não falo apenas por ser homem. Falo enquanto cidadão que acredita que a sociedade deve ser construída com base no respeito, e não no ódio; com base na empatia, e não na retaliação. Precisamos de pessoas capazes de espalhar o perfume do amor, mesmo quando o mundo insiste em cheirar a cinza.
O facto de alguém estar na lama não significa que devamos atirar-nos para lá também.
Minhas senhoras, cautela com certos conselhos. Muita gente já enfrentou situações extremas por seguir cegamente vozes que, por serem mediáticas, parecem dignas de crédito. Nem tudo o que surge nas redes sociais merece lugar na nossa consciência.
Cada um deve afirmar-se pela sua forma de ser e estar, sem se deixar arrastar por influências que nada acrescentam à dignidade humana.
Estamos a construir uma sociedade com princípios frágeis, cujas consequências poderão recair sobre as próximas gerações. Por isso, atenção ao que se ouve e ao que se lê. Nem tudo deve ser transformado em prática.
Tem indivíduos, depois de experiências negativas, amores falhados, desilusões profundas, opte pela generalização como mecanismo de defesa, mas cada pessoa é um universo. Reduzir o outro à dor que carregamos é uma injustiça silenciosa.
Por outro lado, existem também aqueles que procuram protagonismo a qualquer custo, sedentos de aplausos e visibilidade. Para esses, o importante é o palco, não a mensagem. Muitas vezes, aconselham aquilo que nem eles próprios praticam e, quando chegam as consequências, desaparecem sem deixar rasto.
Por isso, prudência. Nem todo o conselho deve ser seguido. Saber escolher é um acto de inteligência emocional.
Quando alguém afirma: “Quando tiverem oportunidade de magoar um homem, magoem mesmo”, pergunto: sentir-se-ia essa mesma pessoa confortável se tal atitude fosse dirigida a um familiar seu, a um irmão, a um filho? É pouco provável. A teoria, muitas vezes, não resiste ao impacto da realidade.
Os princípios são para a vida. Cada um vê e vive o mundo à sua maneira, é certo, mas que o nosso percurso sirva de farol, e não de sombra, para as gerações que virão.
Façamos a diferença com carácter. Não destruamos a nossa dignidade, a nossa identidade, a nossa essência…
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