ONU ALERTA QUE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS JÁ AMEAÇAM COMUNIDADES VULNERÁVEIS EM ANGOLA

A coordenadora residente das Nações Unidas em Angola, Amanda Khozi Mukwashi, defendeu nesta quarta-feira, 24, que as alterações climáticas deixaram de ser um tema restrito aos fóruns políticos e passaram a representar uma ameaça real para milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo Angola, onde os fenómenos extremos poderão agravar a vulnerabilidade de milhares de famílias.

Imagem: DR Ponto de Situação

Ao intervir no Diálogo Nacional sobre Mobilidade Humana no Contexto da Degradação Ambiental, Desastres e Alterações Climáticas, a responsável sublinhou que a crise climática não deve ser encarada apenas como um tema de debate político ou técnico, mas como uma questão que afecta directamente a vida das pessoas.

Para ilustrar a dimensão do problema, Amanda Khozi Mukwashi referiu a actual onda de calor que atinge vários países europeus, destacando que os fenómenos climáticos extremos estão a tornar-se cada vez mais frequentes e severos em diferentes partes do mundo.

A representante das Nações Unidas advertiu ainda para a possibilidade de Angola enfrentar, nos próximos meses, os efeitos do fenómeno El Niño, situação que poderá agravar as condições de vida de muitas famílias e provocar deslocações populacionais.

“Isso significa que alguns dos nossos irmãos e irmãs poderão perder as suas casas e serão forçados a abandonar as suas comunidades”, afirmou.

Segundo a responsável, os debates em torno das alterações climáticas e da mobilidade humana não podem ser vistos apenas como um exercício académico ou um simples workshop, uma vez que as decisões tomadas terão impacto directo no futuro de milhares de cidadãos angolanos.

Amanda Khozi Mukwashi salientou que as consequências das alterações climáticas atingem de forma mais severa as populações vulneráveis, que enfrentam dificuldades acrescidas para responder a fenómenos como secas, cheias, tempestades e outros eventos extremos.

A dirigente concluiu defendendo que todas as estratégias de adaptação e resposta devem colocar o ser humano no centro das decisões, lembrando que o verdadeiro valor das políticas climáticas se mede pela capacidade de proteger vidas, preservar a dignidade das comunidades e garantir um futuro mais seguro para todos os cidadãos.