REJEIÇÃO DA ISLÂNDIA À UE CRIA NOVO DESAFIO PARA BRUXELAS
A população da Islândia rejeitou, em referendo, a retoma das negociações para adesão à União Europeia, numa decisão que representa um revés para o projecto de expansão do bloco europeu, que procura reforçar o seu peso económico e geopolítico.
Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia ocupa uma posição estratégica no Atlântico Norte e no Árctico, região que ganhou importância geopolítica com a guerra na Ucrânia e o aumento das tensões entre as grandes potências.
Apesar de integrar a NATO, o espaço Schengen e a zona europeia de livre comércio, a Islândia mantém reservas quanto à adesão plena à União Europeia. Entre as principais preocupações estão o excesso de regulamentação e o controlo dos recursos pesqueiros, sector de grande importância para a economia do país.
A Islândia já tinha iniciado negociações com a União Europeia depois da crise financeira de 2008, mas o processo acabou por ser interrompido. A actual decisão popular impede, pelo menos por enquanto, a retoma desse caminho.
O resultado surge numa altura em que Bruxelas procura acelerar a expansão do bloco. Montenegro e Moldávia estão entre os países com processos mais avançados, enquanto Ucrânia, Albânia, Macedónia do Norte, Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Sérvia e Turquia também mantêm diferentes níveis de aproximação à União Europeia.
Mais do que uma questão de identidade europeia, a expansão do bloco passou a ser encarada como uma estratégia para aumentar a competitividade e o peso geopolítico da União Europeia perante os Estados Unidos e a China.
A rejeição islandesa constitui, assim, um obstáculo ao projecto de expansão de Bruxelas, embora não comprometa os processos de adesão dos restantes países candidatos.





































