AMNISTIA, REVISÃO CONSTITUCIONAL E PACTO DE ESTABILIDADE DIVIDEM ANALISTAS NO “ESTADO DA NAÇÃO”
Temas como amnistia, revisão constitucional, pacto de estabilidade nacional e o recente encontro entre o Presidente da República, João Lourenço, e o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, dominaram o debate político no programa radiofónico “Estado da Nação”, reunindo posições divergentes entre juristas, analistas políticos, jornalistas e representantes partidários.
Entre os pontos em análise neste Sábado, na Rádio MFM, esteve a dimensão do diálogo nacional, os ganhos políticos do encontro entre os dois líderes e o impacto das propostas apresentadas pela UNITA para o futuro do país.
O secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui, defendeu o documento apresentado por Adalberto Costa Júnior, afirmando que o mesmo resulta da realidade social, política e económica que Angola enfrenta.
Em posição contrária, o sociólogo e analista Aniceto considerou que o documento apresentado pela UNITA “não possui fundamentos compatíveis com a realidade actual do país”, defendendo que a oposição deve apresentar propostas mais orientadas para o crescimento político e desenvolvimento social.
O jornalista e analista político William Tonet levou para o centro do debate questões ligadas ao combate à corrupção, justiça económica e resultados práticos das políticas públicas adoptadas nos últimos anos.
Durante a sua intervenção, William Tonet questionou os ganhos concretos alcançados pelo país nos últimos anos, defendendo uma análise menos ideológica e mais focada nos impactos sociais e económicos das decisões políticas.
“Devemos olhar para os resultados reais. O que ganhámos e o que perdemos?”, questionou.
O comentador apontou ainda exemplos internacionais, referindo processos de combate à corrupção em países como Brasil, Itália e Espanha, defendendo que Angola deve estudar modelos que conciliem responsabilização e preservação económica.
Já António Cahebo alertou para os riscos de propostas que, no seu entendimento, possam gerar instabilidade política e institucional.
Por sua vez, Victorno Catumbela de Sá defendeu uma renovação do debate nacional baseada em factos actuais, afirmando que o país precisa olhar para soluções futuras e não permanecer refém dos conflitos históricos.
O analista considerou ainda que Angola continua a enfrentar desafios estruturais ligados ao processo democrático e ao desenvolvimento económico.
Carlos Cabaça centrou a sua abordagem na necessidade de maior participação da sociedade civil nos processos políticos e criticou a excessiva concentração das decisões nos actores partidários.
Para o comentador, o país deve abrir espaço para diferentes sensibilidades políticas e sociais.
“Os políticos não podem decidir sozinhos o futuro do país”, defendeu.
Carlos Cabaça sustentou igualmente que o debate nacional deve incluir partidos políticos, organizações da sociedade civil e sobretudo os jovens, considerando que a construção da estabilidade exige participação alargada e responsabilidade colectiva.
O debate radiofónico voltou assim a demonstrar as diferentes leituras existentes sobre os desafios políticos e económicos do país, num momento em que Angola se aproxima de novos ciclos eleitorais e de maior exigência social sobre as instituições públicas.





































