BITA PROGRESSO SOB TENSÃO: NOITES SEM SONO, RUAS EM ALERTA MÁXIMO
Assaltos na via pública e invasões a residências têm alimentado um clima de insegurança e vivência sob vigilância constante, no seio dos moradores do bairro Bita Progresso, localizado no município de Viana, em Luanda.
A redacção do Ponto de Situação recebeu denúncias de residentes que descrevem uma rotina em que a tranquilidade já não é garantida.
“Há muito que isto deixou de ser calmo”, resume uma das fontes, sob anonimato, por receio de represálias de indivíduos que, segundo suspeitas locais, seriam do próprio bairro.
A mesma fonte aponta a distância da esquadra como um dos factores que agravam o sentimento de vulnerabilidade.
“A polícia está longe da nossa zona”, lamenta.
Um dos episódios relatados terá ocorrido recentemente na zona do Kimbo, onde um morador, terá sido alvo de um assalto durante a madrugada.
Segundo relatos recolhidos, um grupo com mais de dez elementos fortemente armados terá invadido a residência, agredindo a família, com exigências de uma quantia que alegadamente chegaria aos 14 milhões de kwanzas.
A fonte revelou ainda, que perante a violência e ameaças de morte, a vítima terá entregue cerca de 1 milhão de kwanzas que mantinha guardado em casa.
“Depois do assalto, dispararam vários tiros antes de fugir”, descreve uma das fontes, tendo avançado que os delinquentes terão levados para além de dinheiro, bens diversos.
Um padrão que preocupa
Os relatos não se ficam por este caso. Outros moradores afirmam ter vivido situações semelhantes, dentro e fora das suas casas, alimentando um sentimento colectivo de medo crescente.
Nos meses anteriores, até cabos eléctricos terão sido furtados, deixando partes do bairro às escuras e mais vulneráveis. Sempre que acontece actos desta natureza, para a recolocação dos cabos eléctricos, os moradores são obrigados a contribuir para a compra dos meios.
“Há vizinhos que foram embora. Outros estão a preparar a saída. Os grupos actuam em número elevado, bem organizados, e com armas. Espancam e ameaçam”, relata outra fonte.
Pelo que apuramos, os cidadãos que deixaram as residências, tiveram que morar em casas arrendadas, em bairros que consideram de maior tranquilidade.
O quotidiano também mudou de forma silenciosa, festas deixaram de ser frequentes, músicas baixas tornaram-se regra e compras em excesso são evitadas.
Nesta altura, alguns moradores têm alertado para os familiares residentes em outras localidades para evitar circular no Bita Progresso, face ao contexto em que se regista o aumento da criminalidade.
“O silêncio virou rotina”, diz uma moradora.
Sair às 5h00 da manhã e regressar depois das 18h00, passou a ser evitado por muitos.
Perante o cenário descrito, os cidadãos apelam ao reforço urgente do patrulhamento policial e à criação de esquadras móveis em pontos considerados críticos.
A mensagem é clara e repetida entre as fontes: devolução do clima de segurança no bairro.
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