CÓLERA MANTÉM TAXA DE LETALIDADE ELEVADA EM ÁFRICA E PREOCUPA AUTORIDADES DA SAÚDE

A taxa de letalidade da cólera em África situa-se actualmente em 2,03%, um nível considerado elevado pelas autoridades sanitárias, que intensificam esforços para reduzi-la para 1%, revelou o director-adjunto de incidentes da agência de saúde da União Africana, Yap Boum.

Imagem: CNN Portugal

Segundo Yap Boum, citado pela Lusa, a prioridade das autoridades de saúde no continente passa por conter a propagação da doença e, sobretudo, diminuir o número de mortes associadas ao surto, que continua a afectar vários países africanos.

Em Angola, desde o início do surto, em Janeiro de 2025, foram registados 36.536 casos de cólera, dos quais 19.684 em homens e 16.582 em mulheres, de acordo com dados do Ministério da Saúde actualizados a 20 de Fevereiro deste ano.

No panorama continental, a República Democrática do Congo, o Sudão do Sul e a Nigéria figuram entre os países mais afectados pela doença. Apesar de o Sudão ter declarado o fim do surto a 5 de Março, as autoridades mantêm o país sob vigilância epidemiológica, face ao risco de novos focos, cenário já observado recentemente no Ruanda e no Zimbabwe.

Dados referentes a 2025 indicam que África ultrapassou o recorde de infecções por cólera, com cerca de 262.300 casos confirmados e aproximadamente 5.900 mortes, evidenciando a gravidade da situação sanitária no continente.

A cólera, doença causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados, continua fortemente associada a falhas no saneamento básico e à falta de acesso à água potável, factores que persistem como desafios estruturais em várias regiões africanas.