ÁFRICA DO SUL: MIGRANTES AFRICANOS ACONSELHADOS A EXERCER ‘‘MAIOR VIGILÂNCIA’’
Os migrantes africanos na capital sul-africana, Pretória, foram aconselhados a exercer "maior vigilância" durante uma marcha contra a imigração ilegal, por receio de ataques xenófobos.
A alta comissão do Ghana aconselhou os seus cidadãos a fecharem os seus negócios e a manter um "perfil discreto", enquanto o chefe da União Nigeriana da África do Sul disse aos seus membros para permanecerem em casa.
Está prevista outra marcha para quarta-feira em Joanesburgo. O sentimento anti-imigrante ganhou força política, nos últimos anos, com alguns a acreditar que os estrangeiros estão a tomar os empregos e a beneficiar injustamente dos serviços públicos. Mas o Presidente disse que os cidadãos não devem permitir que as suas preocupações "gerem preconceitos e ódio contra os nossos irmãos africanos".
Condenando os recentes ataques contra estrangeiros, o Presidente Cyril Ramaphosa usou o seu discurso do Dia da Liberdade na segunda-feira, que marcou as primeiras eleições democráticas do país em 1994, para também lembrar o seu país da sua dívida para com outras nações do continente no apoio à sua luta contra o sistema racista do apartheid.
Na terça-feira, centenas de pessoas saíram às ruas de Pretória num protesto organizado pela March and March, em direcção aos Union Buildings, a sede oficial do Governo.
Alguns usavam t-shirts com slogans, enquanto outros entoavam palavras de ordem e transportavam cartazes feitos à mão.
Os protestos anteriores relacionados com a imigração escalaram por vezes para a violência, levando a apelos para a moderação e protecção das comunidades vulneráveis.
A África do Sul alberga cerca de 2,4 milhões de migrantes, pouco menos de 4% da população, de acordo com dados oficiais. A maioria é proveniente de países vizinhos como o Lesoto, o Zimbabwe e Moçambique, que têm um historial de fornecimento de mão-de-obra migrante aos seus vizinhos ricos.
A xenofobia é um problema antigo na África do Sul, acompanhada por surtos ocasionais de violência mortal. A missão diplomática do Ghana aconselhou os ghaneses no país a "dar prioridade à segurança pessoal e tomar medidas de precaução" durante os protestos.
Ao falar sobre a xenofobia na África do Sul, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou aquilo a que chamou "actos criminosos perpetrados por indivíduos que incitam à violência e exploram as condições socioeconómicas".
Em declarações feitas pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, na segunda-feira, recordou aos sul-africanos como a sua luta contra o apartheid foi "sustentada pela solidariedade internacional e africana".
O responsável da ONU disse estar preocupado com os relatos de "ataques xenófobos e actos de assédio e intimidação", acrescentando: "A violência, a justiça pelas próprias mãos e todas as formas de incitamento ao ódio não têm lugar numa sociedade inclusiva e democrática".
Há mais de uma década que a xenofobia dirigida aos migrantes continua a ser uma questão política, tanto mais que o país tem uma das taxas de desemprego mais elevadas do mundo, cerca de 33%. Nos últimos anos, o aparecimento de grupos anti-imigração, como a March and March e a Operation Dudula, ganhou notoriedade pelas suas exigências de que os cidadãos estrangeiros sejam expulsos do país.





































