ENGENHARIA AMBIENTAL EM FOCO: ARQUITETA DEFENDE IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS QUE PRIORIZEM A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL.
A arquitecta Djamila Cassoma apresentou soluções ligadas às tecnologias verdes na construção civil, entre as propostas, destacou um modelo inovador de bloco de construção que promete substituir o tradicional adobe, contribuindo para práticas mais sustentáveis no sector.
Segundo a arquiteta, deve-se olhar para a construção civil como um sector altamente desafiador e nocivo ao meio ambiente. Afirmou ainda que, a urbanização tem sido o maior destruidor do meio ambiente.
‘‘A forma como nós construimos vai definir o futuro das nossas cidades. Somos a especie que mais destroi o meio ambiente’’, disse Djamila Cassoma.
A especialista, apresentou a proposta de um material mais sustentável para a realidade de Angola, que é o adobe (casas feitas de terra vermelha). ‘‘Quando falamos em construções de casas de terra, as pessoas ignoram como se fosse algo que retira a nossa dignidade, mas, na realidade, é uma das formas de construção mais sustentáveis e menos agressiva ao meio ambiente’’.
O crescimento urbano, o dasafio habitacional e a necessidade de equipamentos que respondam à quantidade de habitantes que hoje o país apresenta, foram os três factores de extrema preocupação apontados por Djamila Cassoma, que pontuou ser um desafio não apenas nacional, mas também global.
Daqui a necessidade de se falar em novos modelos de cidades, com materiais mais sustentáveis. Pois segundo a arquiteta Cassoma, construir de forma sustentável significa construir com os recursos existentes localmente, reduzir transportes de material, diminuir o consumo energético na produção, melhorar o desempenho térmico dos edifícios, reduzir o custo com a manutenção ao longo do ciclo de vida útil do edifício.
‘‘No contexto angolano significa construir com inteligência territorial, produzir localmente sempre que possível, gerar emprego no próprio munocípio e reduzir a dependência externa’’, rematou.

Sob o lema “Engenharia Ambiental 4.0 para um Futuro Verde”, o evento junta engenheiros, gestores, administradores e outros especialistas para discutir temas estratégicos como cidades inteligentes, transição ecológica e gestão de resíduos sólidos.
Durante dois dias de debates, os participantes irão abordar desafios ambientais que impactam directamente o desenvolvimento do país, incluindo a pressão hídrica, o crescimento urbano desordenado e a necessidade de respostas técnicas mais eficientes.
O programa inclui ainda uma visita técnica à Central de Valorização da empresa Vista Waste, localizada no Polo de Desenvolvimento Industrial de Viana, no município de Viana.
No acto de abertura, o secretário-geral da AEGAA, José Palanca, que discursou em representação do presidente da Ordem dos Engenheiros de Angola, Augusto Baltazar de Almeida, destacou que o encontro representa mais do que uma simples reunião técnica. Segundo afirmou, trata-se de um compromisso colectivo de uma geração que se recusa a esperar para agir diante dos desafios ambientais.
O responsável sublinhou que as questões ambientais deixaram de ser apenas previsões ou temas restritos a activistas, passando a integrar as agendas estratégicas de sectores sociais, empresariais e políticos.
Neste contexto, defendeu que a engenharia ambiental, aliada a outras áreas como a engenharia civil e a arquitectura, assume um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável em Angola.

O encontro contempla ainda a apresentação de temas como energias renováveis, comunidades sustentáveis e economia circular aplicada à indústria, com intervenções das especialistas Jandira Ribeiro e Cleide Costa.
A programação inclui também uma conferência sobre educação ambiental e cidadania climática, orientada pela engenheira Fernanda Renné Samuel.
A iniciativa reforça a importância da articulação entre conhecimento técnico e políticas públicas para enfrentar os desafios ambientais e promover um futuro mais sustentável para o país.
O quarto Encontro Nacional de Engenharia Ambiental, reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater soluções inovadoras voltadas à sustentabilidade, no âmbito da iniciativa da Associação dos Engenheiros e Gestores Ambientais de Angola (AEGAA).





































