EXECUTIVO ESTÁ A TRANSFORMAR A ECONOMIA PARA ABASTECIMENTO INTERNO E EXPORTAÇÃO
O Executivo está a promover uma transformação estrutural da economia nacional com o propósito de inverter o actual modelo, ainda fortemente dependente das importações, para uma administração (economia) baseada na produção doméstica com capacidade de abastecer o mercado interno e aumentar os níveis de exportação.
A medida foi avançada pelo ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, ao intervir ontem, em Luanda, na 23.ª edição do Café CIPRA, sob o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.
O processo em curso, salientou o ministro, exige uma transformação profunda das infra-estruturas e dos serviços colocados à disposição dos produtores, compradores e operadores.
Ricardo Viegas d’Abreu reforçou que o desafio passa por garantir que os investimentos realizados, e os que estão em curso, tenham capacidade para responder às necessidades de uma economia que pretende produzir mais, consumir a sua própria produção e conquistar novos mercados externos.
“Tudo aquilo que hoje possa parecer muito não é suficiente para conseguirmos garantir esta transformação e a inversão do ciclo da nossa economia: de uma economia eminentemente importadora para uma eminentemente produtora e consumidora dos seus próprios produtos e exportadora”, explicou.
Segundo o governante, a transformação da estrutura económica nacional não pode ser feita apenas através da construção de estradas, caminhos-de-ferro e outras infra-estruturas. É igualmente necessário organizar a cadeia de produção, transporte, armazenamento e distribuição, concluiu.

Importância estratégica das estradas
Durante o evento que decorreu no Memorial Dr. António Agostinho Neto, Ricardo Viegas d’Abreu frisou que as estradas continuam a assumir uma importância estratégica no funcionamento da economia nacional, por serem a infra-estrutura que mais cargas transporta no país, tanto no transporte doméstico quanto no transnacional.
O titular dos Transportes disse que a prioridade deve ser transformar o transporte de mercadorias cada vez mais eficiente, seguro e rápido, criando condições para que a produção nacional chegue aos consumidores em melhores condições e a custos mais competitivos.
O ministro disse existir actualmente um número significativo de transportadores de mercadorias licenciados, ao mesmo tempo que reconheceu a presença de um elevado nível de informalidade no sector.
Segundo o ministro, a falta de uma cadeia logística integrada contribui para a perda de grandes quantidades de produtos agrícolas, muitos dos quais acabam por se deteriorar antes de chegarem ao consumidor.
Em resposta, o ministro defendeu a criação de mecanismos capazes de assegurar a conservação e o transporte adequado dos produtos, sobretudo nas zonas rurais.
Neste caso particular, o governante considerou fundamental reforçar a capacidade logística no segmento da agricultura familiar, de modo a evitar que o aumento da produção seja acompanhado por perdas significativas devido à ausência de armazenamento, refrigeração e transporte adequado.

Plataformas logísticas
Ricardo d´Abreu apontou a criação e dinamização de plataformas logísticas como uma das principais respostas aos constrangimentos existentes na cadeia de distribuição.
Nisto, explicou que o Executivo tem procurado envolver o sector privado neste processo, com o objectivo de acelerar a construção e operacionalização das infra-estruturas necessárias ao armazenamento, conservação e distribuição da produção nacional.
No campo dos projectos em implementação, Ricardo Viegas d’Abreu destacou a plataforma logística da Caála, na província do Huambo, que considerou um modelo de referência que poderá ser replicado noutras regiões do país.
Acrescentou também que no município da Caála está a ser implementado um sistema de frio destinado à conservação da produção local, através da utilização de contentores frigoríficos alimentados por painéis solares.
O ministro anunciou que o modelo deverá ser replicado no Namibe e noutras plataformas logísticas, sobretudo na região Norte.
Corredores de desenvolvimento
A promoção dos corredores de desenvolvimento constitui a terceira dimensão da estratégia apresentada pelo ministro dos Transportes, cujo objectivo passa por aproveitar as infra-estruturas existentes e os novos investimentos para estabelecer uma ligação mais eficiente entre os caminhos-de-ferro, os portos, as zonas de produção e os mercados consumidores.
O Ministro destacou neste âmbito, o processo de integração dos três caminhos-de-ferro nacionais e referiu o projecto de uma linha ferroviária que deverá ligar Malanje ao Cuito Cuanavale.
O ministro dos Transportes destacou que a evolução demográfica do país como outro factor que obriga o Executivo a antecipar as necessidades futuras em matéria de infra-estruturas e capacidade produtiva.
Ricardo Viegas d’Abreu alertou para a necessidade de se evitar que o crescimento da população provoque uma pressão excessiva sobre as infra-estruturas e sobre a capacidade de resposta da economia.
Sector privado
O ministro dos Transportes destacou ainda a importância das parcerias com entidades privadas para a concretização dos projectos ligados à logística e ao transporte.
Segundo Ricardo Viegas d’Abreu, existem já exemplos de parcerias que demonstram a importância da participação empresarial na transformação estrutural da economia.




































