FACTORES ECONÓMICOS, CULTURAIS E SOCIAIS APONTADOS COMO PRINCIPAIS CAUSAS DO AUMENTO DE DIVÓRCIOS EM ANGOLA

O número de casos de divórcio e separação em Angola tem registado um aumento considerável, sendo cada vez mais encarado como uma solução para a resolução de conflitos conjugais. Entre as principais causas apontadas estão os factores económicos, culturais e sociais, que têm pesado de forma determinante na estabilidade das relações.

Casamentos

O fenómeno tem ganho maior visibilidade nos últimos anos, acompanhando as transformações sociais, as dificuldades económicas persistentes e as mudanças nos padrões de convivência familiar, numa sociedade onde o amor já não vive apenas de promessas, mas também de contas para pagar e expectativas por cumprir.

As pressões económicas, os conflitos familiares e as mudanças no papel da mulher têm contribuído para o crescimento dos casos de separação em Angola. Cada vez mais, casais angolanos optam pela separação como saída para relações marcadas por conflitos persistentes, dificuldades financeiras e ausência de diálogo.

Alfredo Mandela afirmou que, no passado, existia um vínculo amoroso verdadeiro e duradouro, algo que, na sua visão, se perdeu com o tempo. Explicou, actualmente valoriza-se mais o bem material do que a própria relação afectiva.

O entrevistado acrescentou ainda que a infidelidade tem sido uma das principais causas do divórcio e apelou a uma maior cultura de diálogo entre os parceiros, defendendo que não deve haver segredos na relação, uma vez que a falta de comunicação é um dos factores que mais contribui para a separação dos casais.

Autoridade masculina

Por sua vez, Beto José considerou que, nos dias de hoje, algumas mulheres tendem a retirar a autoridade dos homens quando estes não conseguem assegurar estabilidade financeira no seio familiar.

Uma outra entrevistada sublinhou a existência de casos de casais que, embora separados, continuam a viver sob o mesmo tecto, realidade motivada, em muitos casos, por dificuldades económicas.

“Ninguém morre de amor. Quando a mulher já não suporta a traição do marido, deve separar-se, mas nunca pagar na mesma moeda. Por ser mulher, não deve competir com o homem”, defendeu Márcia.

Lopes José relatou um caso concreto de infidelidade ocorrido no seio de uma amizade próxima. “Acompanhei um caso em que a esposa do meu amigo manteve uma relação extraconjugal com o colega de serviço do próprio marido. É caso para dizer que as más companhias e os vícios têm estado na base de muitas separações”, afirmou.

Já João Jaime observou que as dificuldades materiais têm falado mais alto do que os valores morais.

“Quando a mulher tem necessidades e o homem não está preparado para suprir, entra a infidelidade, que acaba por conduzir à separação”, salientou.

Para Matias Joel, o século XXI tem-se revelado como a era do imediatismo. O entrevistado recordou que, noutras épocas, os casais permaneciam juntos durante 25, 50 anos ou mesmo toda a vida.

“Hoje, muitos relacionamentos começam por influência de amigas ou familiares. Casa-se sem preparação, namora-se sem conhecer verdadeiramente a pessoa e, depois de uma gravidez, o casamento acontece por pressão. Só mais tarde é que começam a descobrir quem é quem, e muitos, insatisfeitos com a realidade, recorrem ao divórcio”, contou.

O entrevistado acrescentou ainda que, em vários lares, há parceiros que não colaboram na vida a dois, esperando que o outro assuma todas as responsabilidades.

Matias Joel recorreu igualmente a referências bíblicas para ilustrar o seu ponto de vista, afirmando que “aquele que não tem princípios bíblicos é como a mulher tola que destrói a sua casa com as próprias mãos, enquanto a sábia edifica o lar que tem”.