“CEGUEIRA SILENCIOSA” LEVA HOSPITAL JOSINA MACHEL A ALERTAR POPULAÇÃO EM PALESTRA E RASTREIO OCULAR

O Hospital Josina Machel (Maria Pia), promoveu nesta quinta-feira, 12, uma palestra de sensibilização e rastreio ocular para assinalar o Dia Mundial do Glaucoma, alertando a população sobre os riscos da doença conhecida como “cegueira silenciosa”, que pode provocar perda irreversível da visão quando não é diagnosticada a tempo.

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Durante a actividade, a médica Cristina Garcia, da unidade hospitalar, explicou que o glaucoma é uma doença que afecta directamente o nervo óptico e que, quando não tratada precocemente, pode levar à cegueira permanente.

Segundo a especialista, trata-se de uma patologia que evolui de forma lenta e silenciosa, muitas vezes sem apresentar sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitos pacientes só descubram a doença quando já existe comprometimento da visão.

“É uma doença que não dói e evolui lentamente. O paciente começa por perder a visão periférica, enquanto mantém inicialmente a visão central, que é a parte mais nítida da visão. Por essa razão, muitas pessoas não se apercebem de que têm glaucoma”, esclareceu.

A médica alertou ainda que alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver a doença, nomeadamente pessoas com mais de 40 anos, indivíduos com histórico familiar de glaucoma, pessoas da raça negra, pacientes com hipertensão arterial, diabetes, miopia elevada e hipertensão ocular.

Relativamente ao diagnóstico, explicou que o glaucoma é identificado através de exames oftalmológicos completos, incluindo a medição da pressão intra-ocular e a avaliação do nervo óptico.

Apesar de não ter cura, a especialista destacou que a cegueira provocada pelo glaucoma pode ser evitada quando a doença é diagnosticada precocemente e o tratamento é seguido de forma adequada.

“A única forma de prevenir a cegueira causada pelo glaucoma é através de consultas regulares e diagnóstico precoce”, sublinhou.

Durante a palestra, alguns participantes foram seleccionados para realizar o rastreio do fundo do olho, iniciativa que visa reforçar o acompanhamento médico e garantir a continuidade do tratamento dos pacientes.

Em termos estatísticos, foi revelado que apenas no ano passado o Hospital Josina Machel atendeu 4.378 pacientes com glaucoma, um número que demonstra a necessidade de intensificar as acções de prevenção e sensibilização sobre a doença.

Entre os participantes esteve Elvira da Silva, diagnosticada com glaucoma desde 2021. Em declarações ao Portal Ponto de Situação, contou que começou a ter dificuldades para ler e, após realizar exames médicos, foi inicialmente aconselhada a usar óculos. No entanto, após procurar uma segunda avaliação e realizar o exame de pressão intra-ocular, foi confirmado o diagnóstico de glaucoma.

Actualmente, faz tratamento com colírios que recebe mensalmente para controlar a evolução da doença.

“Vivo das gotas que recebo todos os meses para prevenir o agravamento da situação. Por isso decidi participar da palestra, para aprender mais e cuidar melhor da minha visão”, disse.

A paciente aproveitou ainda a ocasião para apelar à população a prestar maior atenção à saúde ocular.

“Não basta apenas usar óculos. É importante fazer todos os exames e acompanhar regularmente a saúde dos olhos”, aconselhou.

Também presente na actividade, Suzana Quimuanga, gestora de recursos humanos, explicou que decidiu participar na palestra por ter histórico familiar da doença.

Segundo relatou, o seu pai sofre de glaucoma e ela própria também apresenta sinais da patologia, motivo pelo qual decidiu inscrever-se para realizar uma consulta de avaliação.

“Fiquei muito satisfeita com esta iniciativa. Actividades como esta ajudam a esclarecer a população e deveriam acontecer mais vezes”, afirmou.

A iniciativa enquadra-se nas actividades de sensibilização do Dia Mundial do Glaucoma, celebrado anualmente com o objectivo de alertar a população para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, considerada uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Especialistas reforçam que a realização de consultas regulares ao oftalmologista continua a ser a melhor forma de proteger a visão.

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