TIA VANDA: PARTE PARA A ETERNIDADE E DEIXA MEMÓRIAS INTERMINÁVEIS

Quando comecei a acompanhar o trabalho da Tia Vanda, como carinhosamente é conhecida, eu nem sonhava ser jornalista. Era apenas um menino que lutava para, um dia, ser alguém. Ouvia, com frequência, o seu nome nas emissões da Rádio Ecclésia: Vanda Marisa de Carvalho.

Sempre fui um miúdo ligado às emissões dos órgãos de comunicação social e  a Rádio Ecclésia era, sem dúvida, uma das minhas preferidas.

Após concluir a minha formação em Jornalismo, o primeiro órgão onde comecei a dar passos firmes no jornalismo radiofónico foi a Rádio Ecclésia. Ali encontrei, em 2014, vários profissionais que me receberam de braços abertos. A Tia Vanda, se a memória não me trai, encontrei-a logo no primeiro dia em que pisei esta casa de rádio, embora já estivesse a terminar o seu turno. Eu cheguei de tarde, por volta das 15h00. A Tia Vanda trabalhava sempre no período matinal.

Do estúdio onde me encontrava, através de uma porta com parte vidrada, vi a Tia Vanda a passar. Soube que era ela, a profissional cujo nome soava diariamente nos nossos receptores, porque um dos colegas fez comentários a seu respeito, permitindo-me associar o nome à imagem. Era o princípio de muitos encontros.

Passaram-se meses até que fui integrado na Redacção da Ecclésia, inicialmente no período da tarde e, mais tarde, no turno da manhã. A partir daí, a minha interacção com Vanda Marisa de Carvalho tornou-se cada vez mais regular.

Aprendi muito com ela. Aconselhava os colegas sobre como se tornarem melhores profissionais e, ao mesmo tempo, nunca perdia a oportunidade de aprender. Tinha essa rara virtude: ensinar sem impor, corrigir sem humilhar e defender quem estiver a ser injustiçado. Ela, conseguia com facilidade observar talentos, ajudar a lapidar e dar o devido espaço de acordo as suas possibilidades.

Depois de sair da Ecclésia, abracei outros desafios. Ainda assim, as memórias e as lições ficaram comigo  e ficarão para sempre. 

Na quinta-feira, 29 de Janeiro, deparei-me, com uma publicação de Siona Júnior, no Facebook, dando conta do  passamento físico  da senhora que muitos consideravam a “dona da Rádio”.

Lamentavelmente, aquele momento pegou-nos de surpresa e o silêncio fez morada em muitos corações, pois, partia a mulher que, desde 1997, cuidava com rigor e amor da área técnica da Rádio Ecclésia.

A notícia mergulhou-me num silêncio longo e pesado e surgiu, a velha frase: a vida é passageira. Terminou a missão da Tia Vanda. Fica, contudo, o seu legado, esse deve ser passado de geração em geração, como se passa o fogo que não pode apagar.

Oh, Tia Vanda, quis o destino que partisses numa quinta-feira. Recordo que era precisamente às quintas-feiras que ia para o ar o programa Ndjango, hoje A Voz da Comunidade, um espaço que ajudaste a nascer, a crescer e a produzir frutos. Eu e tantos outros jovens encontrámos ali voz, microfone e esperança.

Por fim, deixo um desejo que nasce do respeito e da gratidão: que o seu nome seja atribuído ao estúdio principal da Rádio Ecclésia: Estúdio Vanda Marisa de Carvalho. Seria um gesto justo para quem, desde 1997, contribuiu decisivamente para o crescimento desta casa rádio e o progresso de vários jovens.

Tia Vanda, que a sua alma descanse em paz.

Ajudou a tornar grandes muitos profissionais em Angola.

Combateste um bom combate…!

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