NÃO SE DEIXE SEDUZIR PELO DISCURSO QUE DESVALORIZA A FORMAÇÃO
Desde cedo aprendi, em casa, que a formação não é luxo, é ferramenta. Os meus pais ensinaram-me que estudar não é apenas frequentar uma sala de aulas, é preparar-se para enfrentar o mundo com consciência, competência e dignidade. Cresci a ouvir que a caneta é arma do pioneiro e essa ideia nunca mais me abandonou.
Hoje, entristece-me ver como alguns desvalorizam a formação, defendendo que o sucesso nasce apenas da “visão”, da ousadia ou da sorte. Não raras vezes surgem discursos sedutores que procuram convencer os mais jovens de que estudar é perda de tempo, que basta ter coragem e iniciativa. É preciso dizer, com clareza: visão sem preparação é improviso, ousadia sem conhecimento é risco, ambição sem formação é fragilidade disfarçada.
Muitos dos chamados “visionários” que desprezam a escola acabam, mais cedo ou mais tarde, a bater à porta de profissionais formados. Precisam do engenheiro para estruturar o projecto, do contabilista para organizar as finanças, do jurista para legalizar a empresa, do técnico para executar com precisão. Paradoxalmente, recorrem aos mesmos que, outrora, consideraram excessivamente académicos.
A formação é pilar, é base; é estrutura invisível que sustenta o edifício do progresso. Os hospitais funcionam graças a médicos, enfermeiros e técnicos devidamente preparados. Os bancos dependem de economistas e gestores qualificados. As pontes não se erguem por intuição, exigem cálculos rigorosos. Um país não se constrói com improvisos permanentes, constrói-se com conhecimento acumulado.
Tomemos um exemplo simples e doméstico. Imagine um pai cujo filho chega da escola com dificuldades numa determinada matéria. Se esse pai não possui o mínimo de domínio, dificilmente poderá orientar, esclarecer ou estimular o raciocínio da criança. Muitas vezes será obrigado a recorrer a terceiros para suprir uma lacuna que poderia ter sido evitada e nesse instante, talvez surja o arrependimento silencioso: “Quem me dera ter levado os estudos mais a sério”.
É verdade que nem todos têm acesso às mesmas oportunidades. Em Angola, cidadãos enfrentam limitações materiais e financeiras que dificultam o percurso académico. Há também quem possua condições e, ainda assim, opte por negligenciar a formação, influenciado por exemplos superficiais ou discursos fáceis.
Não importa o sector: jornalismo, empreendedorismo, arte, tecnologia, aviação ou docência. Em todas as áreas, o conhecimento técnico faz diferença. Para elaborar um currículo bem estruturado, redigir uma carta formal, produzir uma reportagem equilibrada ou conduzir uma entrevista com rigor, é preciso estudar. O jornalismo, por exemplo, não é apenas escrever, envolve princípios, ética, métodos e responsabilidade social. Tudo isso aprende-se!
Até para inovar é preciso base. Até para romper padrões é necessário conhecer as regras. A mediocridade instala-se quando se despreza o esforço intelectual e se glorifica o improviso permanente.
A formação não substitui o carácter, mas complementa-o; não substitui a experiência, mas orienta-a; não substitui o talento, mas disciplina-o.
Por isso, não caia na lábia de quem tenta diminuir o valor do estudo. O conhecimento continua a ser o maior investimento que um indivíduo pode fazer em si próprio. Num mundo competitivo e em constante transformação, estudar não é opção decorativa, é estratégia de sobrevivência e ferramenta de transformação social.
Se deseja marcar a diferença, elevar o seu nível e contribuir verdadeiramente para o desenvolvimento do país, aposte na formação, porque até para defender que estudar não é importante… é preciso saber argumentar e, isso também se aprende.
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