UM APITO, UM BRAÇO ESTICADO E UM APERTO SECUNDÁRIO

No asfalto e na terra batida, na claridade e na escuridão, eles marcam presença. São chamados a cumprir uma missão com zelo, mas, no final, nem todos o fazem.

Neste trajecto, há quem vista o papel com convicção e quem apenas use o figurino.

Para quem observa, tudo se confunde. O gesto é parecido. A intenção, nem sempre.

O apito pode soar ou não.

O braço estica-se com naturalidade ensaiada.

Do outro lado, alguém sorri.

Do lado de quem entrega, as lamentações começam cedo,

 muitas vezes antes mesmo de colocar o pé no chão.

-Aqui, afinal, é só assim?

-Não liga, já combinámos o código.

Enfim…!

As perguntas surgem.

Outros, que seguem o trajecto do indivíduo, depois do apito ou do braço levantado, sussurram:

-Boss, não complica o cenário. Saúda com o código conhecido e vamos embora, que já estamos atrasados.

O cenário repete-se com uma naturalidade assustadora, como se fosse rotina da maioria e aqui mora o perigo.

Quase sempre o filme acontece e neste domingo, 8 de Fevereiro, nos arredores de Viana, enquanto seguia o meu percurso, um indivíduo que conduzia o trajecto acreditou que conseguiria despistar o homem do apito e, por vezes, do braço.

Entrou pela direita, saiu pela esquerda, pisou o asfalto, refugiou-se nas ruelas, mas, quando menos esperava, os olhares cruzaram-se.

Alguém gritou.

Não valeu de nada.

 

O aperto de mãos aconteceu,

com ou sem ficha limpa.

Infelizmente, o fenómeno repete-se.

Vira moda no mata-bicho, no almoço e também no jantar.

Eles sabem que está tudo “sob controlo”.

Há sempre quem pague por eles.

Este é um caminho de consequências gravíssimas.

O que hoje é normalíssimo será, amanhã, um problema maior, mais pesado, mais difícil de desmontar.

Se não houver reversão do quadro, o futuro cobrará juros altos.

Muito altos.

Unamos forças por um amanhã mais brilhante,

mesmo que, por agora, a mensagem siga codificada.

Um dia, será entendida.

Um abraço!

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