SUPOSTA APLICAÇÃO DE "JARDA" RESULTA EM MORTE: JOVEM PERDE A VIDA HÁ POUCOS DIAS DO CASAMENTO
A poucos dias de concretizar o sonho de subir ao altar, Madalena Maria, fisioterapeuta de 26 anos e mãe de uma criança de um ano, perdeu a vida após recorrer a um procedimento estético clandestino conhecido como "jarda".
O caso, que está a ser investigado pelas autoridades, voltou a acender o alerta sobre os perigos de intervenções realizadas fora de unidades de saúde autorizadas.
Madalena Maria tinha casamento marcado para o próximo dia 27 de Junho. Segundo informações avançadas pelo corpo clínico da Maternidade Lucrécia Paim, a irmã mais nova da vítima, Madalena teria experimentado o vestido e notado que este se encontrava largo na região das ancas, situação que poderá tê-la motivado a procurar o procedimento.
A aplicação terá ocorrido no Mercado dos Kwanzas, em condições precárias e sem qualquer acompanhamento médico. Informações preliminares apontam que foram administradas 20 ampolas de progesterona, alegadamente fora do prazo de validade, dez em cada nádega.
Poucas horas após o procedimento, a jovem começou a sentir-se mal. Os familiares procuraram ajuda e contactaram o responsável pela aplicação, que orientou a sua transferência para um posto de enfermagem do bairro.
Apesar dos primeiros socorros, o estado clínico agravou-se rapidamente, obrigando à sua transferência para a Maternidade Lucrécia Paim. Segundo os médicos, Madalena deu entrada na unidade hospitalar no dia 14 de Junho, em estado crítico e em coma profundo.
Durante a avaliação clínica, os profissionais de saúde observaram múltiplas marcas de injecções e zonas endurecidas nas nádegas, algumas com consistência semelhante à pedra e outras com sinais de acumulação de líquidos. Perante o quadro, a equipa médica procurou obter informações junto da família para compreender a origem do problema.
Os familiares relataram que a jovem teria recebido 20 ampolas de progesterona. No entanto, os médicos afirmam não ter sido possível confirmar a substância utilizada, uma vez que não tiveram acesso aos medicamentos alegadamente aplicados.
Segundo a irmã da vítima, Madalena regressou a casa de táxi, transporte que teria sido pago pelo suposto enfermeiro. Inicialmente mostrou-se bem-disposta e chegou a pedir comida. Contudo, durante a madrugada, começou a sentir fortes dores nas nádegas, acompanhadas de confusão mental e agravamento progressivo do seu estado de saúde.
Na unidade hospitalar, a paciente foi submetida a diversos exames e recebeu assistência intensiva. Com a deterioração do quadro clínico, foi necessário proceder à entubação e ventilação mecânica. Apesar dos esforços da equipa médica, Madalena não resistiu e foi declarada morta às 6h40 de segunda-feira.
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) foi accionado e iniciou diligências para apurar as circunstâncias do caso. O alegado responsável pela aplicação encontra-se em fuga.
Entretanto, um homem de 38 anos, identificado como responsável pelo posto de enfermagem onde a jovem recebeu assistência inicial, foi detido para esclarecimentos. Durante as investigações, as autoridades terão encontrado diversas irregularidades no funcionamento do estabelecimento, incluindo medicamentos fora do prazo de validade.
O suspeito afirmou desconhecer se a vítima teria efectivamente recorrido à aplicação da chamada "jarda", alegando que nem os familiares sabiam exactamente o que havia acontecido.
Casos semelhantes continuam a preocupar as autoridades sanitárias. Especialistas alertam que procedimentos estéticos realizados fora de instituições autorizadas representam sérios riscos para a saúde, podendo provocar complicações graves e até resultar em morte.
Os familiares de Madalena Maria optaram por não prestar declarações públicas sobre o caso. Pessoas próximas garantem, contudo, que a jovem nunca manifestou intenção de realizar este tipo de procedimento e que, pelo contrário, costumava aconselhar outras mulheres a evitarem práticas estéticas de risco.





































