UNICEF ALERTA: MAIS DE METADE DAS CRIANÇAS NO MUNDO É VÍTIMA DE VIOLÊNCIA
Mais de metade das crianças em todo o mundo enfrenta algum tipo de violência anualmente, em ambientes como a família, a escola, a comunidade e, cada vez mais, no espaço digital, alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A denúncia surge numa altura em que a organização assinala 80 anos de existência e chama a atenção para o agravamento das crises humanitárias, dos conflitos armados, das catástrofes naturais e das desigualdades que afectam particularmente as crianças.
Criado em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, o UNICEF começou por prestar assistência a milhões de crianças afectadas pela fome, deslocação e pobreza. Ao longo das últimas oito décadas, tornou-se numa das principais organizações internacionais dedicadas à defesa dos direitos, da saúde, da educação e da protecção da infância.
Entre os avanços alcançados destacam-se a expansão da vacinação, a melhoria da nutrição, o incentivo ao aleitamento materno, o acesso à água potável e ao saneamento, bem como o reforço dos cuidados básicos de saúde. Segundo a organização, a taxa mundial de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu 60% desde 1990.
Apesar dos progressos, o UNICEF considera que as crianças enfrentam actualmente desafios cada vez mais complexos. Cerca de 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola, enquanto muitos dos que frequentam instituições de ensino não conseguem desenvolver competências básicas de aprendizagem.
A organização defende, por isso, investimentos urgentes nos sistemas educativos e nos professores, sublinhando que as tecnologias digitais e a inteligência artificial devem servir para reforçar o ensino e não substituir os profissionais da educação.
O acesso a serviços essenciais continua igualmente marcado por fortes desigualdades. Cerca de 2,1 mil milhões de pessoas não têm acesso adequado à água potável e aproximadamente 3,4 mil milhões continuam sem saneamento adequado, aumentando o risco de doenças graves.
No domínio da protecção infantil, o UNICEF alerta que mais de metade das crianças sofre algum tipo de violência todos os anos. Os casos ocorrem em diferentes contextos, incluindo no seio familiar, nas escolas, nas comunidades e nas plataformas digitais, podendo deixar consequências ao longo da vida.
As crises humanitárias agravam ainda mais a situação. Conflitos e surtos de doenças em países como a República Democrática do Congo, Sudão, Ucrânia, Iémen, Síria, Myanmar e outras regiões têm dificultado o acesso das crianças a cuidados de saúde, educação, alimentação e protecção.
A organização chama igualmente a atenção para as ameaças ambientais, entre elas as ondas de calor extremo, a poluição do ar, a contaminação da água e a exposição a substâncias tóxicas.
Ao completar oito décadas de actividade, a UNICEF defende que a protecção da infância deve continuar no centro das decisões políticas e dos investimentos internacionais. Para a organização, garantir um futuro digno às crianças exige cooperação, recursos e sistemas capazes de assegurar saúde, educação, segurança, dignidade e oportunidades para todos.





































