ACTIVISTA APONTA FAMÍLIA COMO PRIMEIRO ESPAÇO DE EXCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

O activista Angolano André Koxi, afirmou que, a exclusão de pessoas com deficiência física começa geralmente no seio familiar.

Imagem: DR Ponto de Situação

Em entrevista ao portal Ponto de Situação, André CoKoxi disse se tratar de um assunto que os familiares devem tratar desde tenra idade, de formas que a pessoa com deficiência aprenda desde cedo a lidar com os desafios que poderá enfrentar na sociedade.

O activista adiantou que em muitas famílias o deficiente físico é excluído das actividades externas, alegando distância ou que vai dar muito trabalho.

‘‘Trata-se de uma deficiência física e não um fardo’’.

André Koxi que falava das dificuldades que os deficientes físicos atravessam no dia-a-dia, destacou a atenção redobrada para: cadeirantes, deficientes visuais e auditivos, entre outros, que encontram inúmeras dificuldades nos transportes públicos.

Segundo o activista, a Igreja é outro local onde se constata a exclusão de pessoas com deficiência, o mesmo lamentou pelo facto de nunca ter visto um deficiente físico como padre, pastor, apóstolo ou qualquer outro cargo de relevância em uma igreja.

Disse também que não tem como um surdo ou mudo ir à igreja, visto que não há intérprete, ou mesmo um cego, sem uma bíblia em braille.

Koxi adiantou já ter vivido algumas experiências menos boas, pois foi posta em causa a sua capacidade devido a deficiência em um dos olhos.

‘‘Os líderes religiosos continuam nos vendo como mendigos. O deficiente físico não é mendigo’’.

Nesta senda o defensor de pessoas com deficiência física apelou os órgãos de direito a levarem a cabo a aquisição de livros e bíblias em braille(sistema universal de leitura e escrita tátil para pessoas cegas ou com baixa visão), pois a palavra de Deus é para todos.

Questionado sobre todos sermos iguais perante a lei, o activista respondeu que a mesma não se faz cumprir.

‘‘Quando ainda existem pessoas com necessidades especiais a deriva, e o estado não age conforme em outras partes do mundo, então alei de que somos todos iguais não se faz sentir’’, respondeu.

Acrescentou ainda que as pessoas com deficiência, são muito valentes em termos intelectuais, e que podem contribuir em muito numa sociedade, até mesmo ser presidente da república, ‘‘mas infelizmente só somos postos na segunda parte’’.

‘‘Só sentirei que somos todos iguais quando eu ver os meus direitos fundamentais a serem respeitados’’, disse o activista.

O nosso entrevistado que disse que o estado não tem cumprido com os seus deveres, ao mesmo tempo que questionou sobre o número de escolas especiais ou inclusivas existentes só na capital angolana, com uma rampa adecuada para os cadeirantes.

‘‘A maioria das escolas e instituições públicas não têm rampa, então não tem como sermos iguais perante a lei’’.

André Koxi disse que há dificuldade na aquisição de alguns livros em braille devido alguns tratados que Angola não ratificou.

Em forma de incentivo, o activista aconselhou os deficientes físicos a aceitarem a sua condição e não permitirem que as outras pessoas os menosprezem, rompendo barreiras para a realização dos seus sonhos.

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