ANGOLA ENTRA NA MAIOR MONTRA TURÍSTICA DO MUNDO
Angola acaba de subir ao palco principal do turismo mundial ao assumir o estatuto de terceiro país africano anfitrião da 60.ª edição da ITB Berlim, escrevendo uma nova página na sua diplomacia económica e projecta-se como destino estratégico num sector que movimenta biliões e influencia políticas globais.
O certame, lançado em 1966, reúne este ano mais de 170 países e cinco mil expositores, celebrando seis décadas de existência sob o lema “Descubra as histórias por trás de 60 anos de legado”.
No centro do debate estão sustentabilidade, inteligência artificial e o futuro das viagens, temas que desenham o turismo do amanhã.
Depois da Tunísia, em 2007 e do Botswana, em 2017, Angola torna-se o terceiro país africano a ostentar o título de anfitrião. A distinção coincide com o regresso oficial do país à feira, onze anos após a última participação institucional, em 2015.
Sob a marca “Visit Angola – The Rhythm of Life – O Ritmo da Vida”, o país apresenta-se não apenas como geografia, mas como experiência. A estratégia é clara: sair da sombra petrolífera e afirmar-se como mercado emergente com património natural, cultural e humano capaz de competir no mapa global.
Em Janeiro, Angola foi anfitriã da CMT Estugarda e participou na FITUR, em Madrid. Uma autêntica maratona promocional que demonstra ambição e foco estratégico.
Turismo como pilar de futuro
O Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, que presidiu à inauguração do stand, afirmou que Angola é um país de paz e que o turismo é, por natureza, uma indústria da paz.
“Continuaremos a preservar esta paz para que este sector, o mais inclusivo que existe, desempenhe plenamente o seu papel nas comunidades”, declarou.
Massano sublinhou ainda que o turismo é pilar estratégico da diversificação económica. Actualmente, o sector contribui com menos de 2% para o PIB nacional, mas registou um crescimento de 18% em 2025, um dado que revela margem e potencial.
A cerimónia contou igualmente com a presença do Ministro do Turismo, Márcio Daniel, e da Secretária-Geral da ONU Turismo, Shaikha Al Nowais. Após o corte da fita, a delegação visitou o espaço expositivo e incentivou operadores a explorar oportunidades e a promover Angola no circuito internacional.
Investimento, redes e acordos
Entre os objectivos centrais da participação angolana destacam-se:
- Captação de investimento privado para projectos estruturantes;
- Integração nas principais redes europeias de comercialização turística;
- Assinatura de acordos estratégicos.
Paralelamente, foi lançado o Guia de Investimento no Turismo, documento que identifica oportunidades concretas no sector, numa lógica de transparência e atractividade para investidores.
Com cerca de 20 operadores turísticos presentes, Angola procura converter visibilidade em negócios, contactos em contratos, e narrativa em números.
Ao lado de potências africanas do sector como África do Sul, Quénia, Namíbia e Tanzânia, Angola assume-se como voz activa do continente numa plataforma que dita tendências.
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