DOIS PROCESSOS, UM CONGRESSO: FNLA MERGULHA EM NOVA CRISE INTERNA
A poucos dias do VI Congresso Ordinário, a FNLA volta a enfrentar disputa interna, com duas alas a prepararem processos distintos e a contestarem mutuamente a legitimidade para conduzir a eleição da próxima direcção.
A Comissão Preparatória ligada à direcção de Nimi a Simbi realiza, este sábado, 5 de Setembro, assembleias provinciais em 11 províncias do país, destinadas à eleição dos delegados ao congresso.
O processo abrange as províncias do Bié, Cuando, Cubango, Cunene, Huíla, Moxico, Moxico-Leste, Namibe, Lunda-Norte, Lunda-Sul e Malanje.
No Namibe, o secretário provincial da FNLA, Miguel Luís Martinho, assegura que os militantes estão mobilizados para a eleição dos seis delegados que representarão a província no congresso.
No Moxico, o secretário interino, Palahama Tchiungo, afirma que os preparativos estão na fase final, estando prevista a eleição de 16 delegados.
Na Lunda-Norte, o secretário provincial, Carlos Pedro Mulamba, garante igualmente estarem reunidas as condições para a realização da assembleia e apela à participação dos militantes.
Entretanto, uma outra estrutura, ligada a membros do Comité Central e apoiada por Ngola Kabango, afirma ter concluído a preparação das assembleias provinciais e prepara-se para avançar para a campanha eleitoral.
A existência de dois processos paralelos aprofunda a disputa interna e coloca em causa a unidade do partido, numa altura em que a FNLA se prepara para escolher a sua próxima liderança.
A crise ocorre depois de o Tribunal Constitucional ter determinado a adopção das medidas necessárias para a convocação e realização do congresso, em conformidade com os estatutos da organização e a legislação aplicável.
Em reacção ao processo, Ndonda Nzinga acusa Nimi a Simbi de não ter interpretado correctamente a decisão do Tribunal Constitucional e defende o cumprimento rigoroso dos estatutos do partido.
O dirigente considera “uma vergonha” a actual situação interna da FNLA e contesta a forma como o processo está a ser conduzido.
Com as duas estruturas a reivindicarem legitimidade para conduzir o processo, a crise interna da FNLA mantém-se sem solução consensual à vista, numa altura em que se aproxima a data prevista para a realização do VI Congresso Ordinário, marcado para os dias 23, 24 e 25 de Setembro.
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