QUADRILHA ARMADA ASSALTA ARMAZÉM NO CALEMBA II: SIC DETÉM CIDADÃO CONGOLÊS E INTENSIFICA CAÇA AOS FUGITIVOS

Um cidadão de nacionalidade congolesa, identificado como Muloque Elias José, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Luanda, por alegado envolvimento num violento assalto a um armazém no bairro Calemba II, município do Kilamba Kiaxi.

Imagem: DR Ponto de Situação

O crime, ocorrido na madrugada de 22 de Março de 2026, deixou vigilantes gravemente feridos e levanta preocupações sobre a actuação de redes criminosas organizadas na capital.

A detenção de Muloque Elias José surge no âmbito de uma operação conduzida pelo Serviço de Investigação Criminal, que visa desmantelar uma associação criminosa suspeita de protagonizar assaltos à mão armada em vários pontos da cidade de Luanda.

O implicado, que afirmou estar em Angola há apenas três semanas, nega participação directa no roubo, alegando ter sido apenas incumbido de guardar uma arma a pedido de um indivíduo conhecido por “Sabaló”.

Segundo o próprio, a arma teria sido deixada nas proximidades por um outro comparsa, identificado como “Obama”, que posteriormente regressou para a recuperar. Elias sustentou que desconhecia qualquer plano criminoso, afirmando que deveria apenas entregar o material à esposa de um vizinho, alegadamente agente da Polícia Nacional de Angola (PNA).

Contudo, as autoridades apresentam uma versão mais robusta e sustentada por indícios materiais. De acordo com o chefe do GCII do SIC-Luanda, Fernando Carvalho, o suspeito integra um grupo que, na madrugada do crime, isso por volta das 03h00, invadiu um armazém no bairro Calemba II, após se introduzir na zona a partir do município da Camama, concretamente no bairro Onjimaka.

Munidos de uma arma de fogo do tipo AKM, os assaltantes renderam os vigilantes sob ameaça de morte, imobilizando-os com fita-cola. Em seguida, arrombaram o cofre do estabelecimento, de onde subtraíram cerca de 1.400.000 kwanzas, além de uma arma de fogo do tipo caçadeira pertencente à segurança privada.

A violência empregue durante a acção criminosa deixou marcas profundas nas vítimas. Entre elas está Augusto Adão Domingos, de 32 anos, que exercia funções de vigilante no local. Ele foi brutalmente agredido, tendo sofrido traumatismo craniano grave que exigiu intervenção cirúrgica urgente.

A irmã da vítima, Manuela Francisco Domingos, descreveu com emoção o estado crítico do irmão e denunciou alegada negligência por parte da empresa empregadora. 

Segundo relatou, Augusto foi deixado “quase morto”, com dificuldades de fala e perda de memória e com ferimentos severos na cabeça que obrigaram a uma cirurgia ao crânio. Outro colega encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Josina Machel.

“Ele era trabalhador dedicado, e agora quer entender por que fizeram isso com ele”, lamentou a cidadã, apelando por maior assistência às vítimas e responsabilização dos autores.

O SIC assegurou que decorrem diligências intensivas para localizar e capturar os restantes membros do grupo, actualmente em fuga, considerados altamente perigosos.

Durante a operação, foram apreendidas uma arma AKM, uma caçadeira, uma pistola e respectivas munições, elementos que reforçam a gravidade e o nível de organização da quadrilha.

As autoridades reiteram o compromisso no combate ao crime organizado e apelam à colaboração da população na denúncia de quaisquer informações que possam conduzir à captura dos suspeitos ainda foragidos.