UNITEL ADMITE ATAQUE CIBERNÉTICO DIRECCIONADO E MANTÉM RECUPERAÇÃO GRADUAL DOS SERVIÇOS

A UNITEL confirmou que o ataque cibernético que paralisou grande parte dos seus serviços móveis na madrugada de 28 de Julho poderá ter sido uma acção deliberada e direccionada, coincidindo com a véspera do início da negociação das acções da empresa.

Imagem: TPA online

Em comunicado dirigido ao mercado, ao abrigo do artigo 146.º do Código dos Valores Mobiliários, a UNITEL actualizou a informação relativa ao incidente de cibersegurança que afectou a sua infraestrutura tecnológica, esclarecendo que o ataque foi detectado às 02h20 do dia 28 de Julho de 2026.

Segundo a operadora, a ocorrência comprometeu os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, afectando clientes particulares e empresariais.

Em contrapartida, os serviços fixos de telecomunicações suportados por fibra óptica e feixes hertzianos permaneceram operacionais, assegurando a continuidade das comunicações de diversas instituições públicas e empresas.

Logo após a identificação do incidente, foram activados os protocolos internos de resposta e contenção, envolvendo equipas especializadas em cibersegurança e tecnologia. A empresa assegura que o ataque se encontra controlado e que todos os recursos humanos e técnicos continuam mobilizados para restabelecer integralmente os serviços.

A recuperação da rede começou às 11h45 de 29 de Julho, de forma faseada, com a reposição parcial dos serviços móveis de voz, dados, com excepção das mensagens SMS, e acesso à Internet nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando, Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Icolo e Bengo, Malanje, Lunda-Norte e Namibe. A operadora informou que a normalização nas restantes províncias deverá ocorrer progressivamente.

No comunicado, a UNITEL refere que nunca enfrentou um incidente desta dimensão, sublinhando que dispõe de uma arquitectura de cibersegurança alinhada com as melhores práticas internacionais, incluindo um Centro de Operações de Segurança (SOC), sistemas permanentes de monitorização de ameaças, planos de continuidade de negócio e mecanismos de recuperação de desastres.

A empresa chama, contudo, a atenção para a coincidência temporal entre o ataque e a véspera da admissão das suas acções à negociação em bolsa, admitindo que uma das hipóteses em investigação é a de um ataque deliberado com o objectivo de perturbar o processo de entrada da empresa no mercado de capitais.