FUTEBOL ESPANHOL: MATERNIDADE DEIXA DE SER UM OBSTÁCULO À CARREIRA

Entre treinos, competições e a pressão do alto rendimento, as futebolistas espanholas passam a contar com um novo aliado: a federação vai apoiar tratamentos de fertilidade para permitir que jogadoras e árbitras decidam com maior liberdade quando querem ser mães.

Imagem: campodelas

A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) decidiu levar a saúde reprodutiva para dentro do campo desportivo. A partir de agora, jogadoras da selecção feminina, incluindo as de futsal, árbitras e árbitras assistentes do principal escalão, além de funcionárias da instituição, terão acesso a tratamentos de fertilidade.

A medida inclui a congelação de óvulos, fertilização in vitro, doação de óvulos e testes genéticos, numa iniciativa que pretende diminuir a pressão que muitas mulheres enfrentam ao tentar conciliar uma carreira desportiva de alto nível com o projecto de maternidade.

O acordo, com validade até à Primavera de 2029, contempla igualmente recursos de apoio à saúde física e mental. Para a RFEF, a excelência dentro das quatro linhas deve ser acompanhada por melhores condições fora delas, sobretudo na conciliação entre a vida profissional e pessoal.

Para concretizar o programa, a federação estabeleceu uma parceria com o grupo de clínicas de fertilidade Tambre, que deverá disponibilizar informação médica e acompanhamento especializado às beneficiárias. A intenção é garantir que cada mulher possa decidir, de forma informada e sem pressão, se pretende ser mãe agora, mais tarde ou não.

A iniciativa ganha ainda maior relevância num momento em que a Europa enfrenta uma acentuada redução das taxas de fertilidade. Os dados apresentados apontam para uma queda do número médio de nados-vivos por mulher, de 2,62 em 1964 para 1,34 em 2024.

A nova política junta-se a outras medidas já adoptadas pela RFEF para apoiar jogadoras que são mães, incluindo condições específicas nas competições da selecção principal.

Com a decisão, a federação espanhola procura transmitir uma mensagem clara: no futebol de alto rendimento, escolher entre a carreira e a maternidade não deve ser uma obrigação.