ATÉ 261 MILHÕES DE DÓLARES EM JOGO NA VENDA DE 34% DO STANDARD BANK ANGOLA
O Estado angolano colocou à venda 4,76 milhões de acções do Standard Bank de Angola, correspondentes a 34% do capital do banco, numa operação que poderá gerar até 261 milhões de dólares.
A Oferta Pública de Venda (OPV), aprovada pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), decorrerá entre 11 e 25 de Setembro, estando prevista para 30 de Setembro a entrada das acções à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).
As acções serão disponibilizadas aos investidores por um preço entre 41.220 e 50.000 kwanzas cada. De acordo com os documentos da operação, o Estado poderá arrecadar cerca de 215 milhões de dólares, caso seja aplicado o preço mínimo, ou até aproximadamente 261 milhões de dólares, no cenário de preço máximo.
O valor final da operação dependerá, entretanto, do preço definido e da quantidade de acções efectivamente adquiridas pelos investidores.
O Standard Bank Group, que actualmente controla 51% do Standard Bank de Angola, poderá adquirir mais 24 pontos percentuais da participação colocada à venda.
Caso exerça integralmente esse direito, o grupo sul-africano passará a deter 75% do capital do banco angolano. Os restantes 10 pontos percentuais da oferta ficarão disponíveis para outros investidores, enquanto o Estado deverá conservar uma participação de 15%.
A operação combina, assim, a privatização de uma participação estatal com a possibilidade de reforço da posição do accionista estratégico e a entrada de novos investidores no capital do banco.
A participação agora colocada à venda corresponde a acções anteriormente associadas ao empresário Carlos São Vicente, antigo presidente da AAA Seguros.
As autoridades angolanas apreenderam a participação antes da condenação do empresário, em 2022, por crimes que incluíram peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais. São Vicente foi condenado a nove anos de prisão.
A actual OPV enquadra-se no processo de gestão e alienação dos activos que passaram para a esfera do Estado, não devendo o valor da operação ser confundido com eventuais montantes relacionados com o processo criminal.
Os 215 a 261 milhões de dólares representam apenas o valor potencial da participação de 34% colocada à venda, calculado com base no número de acções e no intervalo de preços definido para a oferta.
A operação do Standard Bank de Angola surge depois da entrada em bolsa da Unitel, que em Julho arrecadou cerca de 329 milhões de dólares com a venda de 15% da participação estatal.
A procura registada naquela operação ultrapassou a quantidade de acções disponibilizada, num sinal de interesse dos investidores pelo mercado de capitais angolano.
A oferta do Standard Bank representa agora um novo teste, desta vez no sector bancário, à capacidade da Bolsa de Dívida e Valores de Angola para atrair investidores e ampliar a participação de accionistas nacionais.
Segundo a CMC, deverão ser admitidas à negociação na BODIVA as 14 milhões de acções do Standard Bank de Angola, número superior às 4,76 milhões abrangidas pela presente oferta.
Para participar na operação, os investidores particulares deverão possuir uma conta de títulos junto de um intermediário financeiro autorizado e consultar o prospecto da oferta, que contém informações sobre as condições e os riscos associados ao investimento.
A operação enquadra-se ainda na estratégia do Estado de reduzir a sua participação directa em activos comerciais e dinamizar o mercado de capitais nacional, podendo o seu resultado ser avaliado não apenas pelo valor arrecadado, mas também pela capacidade de atrair uma base mais diversificada de investidores.




































