HUAMBO QUER TRANSFORMAR 35 COOPERATIVAS EM MOTOR DA PRODUÇÃO DE CITRINOS
O Huambo prepara uma nova aposta na produção de citrinos, com 35 cooperativas mobilizadas para a próxima época agrícola, numa estratégia que pretende colocar mais laranjas, limões e outros frutos no mercado, reduzir a dependência das importações e fazer da agricultura uma fonte mais dinâmica de rendimento para as famílias rurais.
A iniciativa do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas surge num momento em que o reforço da produção nacional assume importância crescente para a segurança alimentar e para a redução da saída de divisas na aquisição de produtos agrícolas no exterior.
A aposta nos citrinos poderá, neste sentido, representar mais do que uma simples diversificação das culturas praticadas na província. Trata-se de criar uma cadeia produtiva capaz de ligar o pequeno produtor ao consumidor, passando pela transformação, conservação, transporte e comercialização.
Com a participação de 35 cooperativas, a estratégia procura conferir maior organização à actividade, concentrando produtores em estruturas com maior capacidade para planear a produção, adquirir insumos, adoptar técnicas agrícolas adequadas e negociar a colocação dos produtos no mercado.
Produzir mais para importar menos
Um dos principais desafios da agricultura angolana continua a ser a capacidade de garantir uma oferta nacional regular e suficiente para responder à procura.
No caso dos citrinos, aumentar a produção local poderá reduzir a necessidade de recorrer ao mercado externo, sobretudo se os produtores conseguirem garantir quantidade, qualidade e regularidade.
Mas produzir mais não significa automaticamente substituir as importações.
Será necessário assegurar mudas de qualidade, assistência técnica, sistemas de irrigação, controlo de pragas e doenças, fertilização adequada e, sobretudo, condições para que os pomares tenham produtividade durante vários anos.

Os citrinos exigem uma visão de médio e longo prazo. Ao contrário de culturas de ciclo curto, um pomar não produz imediatamente todo o seu potencial. Por isso, a aposta deverá ser acompanhada por mecanismos que permitam aos agricultores suportar o período entre a instalação das plantações e a obtenção de retornos económicos significativos.
Cooperativas como elo da cadeia
A escolha das cooperativas como base da estratégia pode permitir ultrapassar uma das fragilidades históricas da produção agrícola: a excessiva fragmentação dos produtores.
Organizados, os agricultores podem ganhar maior poder de negociação e reduzir custos na aquisição de sementes, mudas, fertilizantes, equipamentos e outros factores de produção.
A organização colectiva também pode facilitar o acesso ao crédito, à assistência técnica e aos mercados.
Contudo, para que as cooperativas cumpram esse papel, será importante que não sejam apenas estruturas formais. Precisam de funcionar como verdadeiras unidades económicas, capazes de produzir, armazenar, transportar, negociar e, sempre que possível, transformar a produção.
É na transformação que poderá estar uma das maiores oportunidades.
Parte dos citrinos que não encontrar comprador no mercado de fruta fresca poderá ser aproveitada para sumos, compotas, concentrados, doces e outros derivados. Desta forma, reduz-se o desperdício e aumenta-se o valor económico de cada quilograma produzido.
Do pomar ao emprego rural
A expansão dos citrinos poderá também produzir efeitos sobre o emprego.
A instalação e manutenção dos pomares exige mão-de-obra, assim como a colheita, selecção, embalagem, transporte e comercialização.
Se a produção ganhar escala, poderão surgir pequenas unidades de transformação e negócios complementares, criando oportunidades sobretudo para jovens nas zonas rurais.
Desta forma, a agricultura deixa de ser encarada apenas como actividade de subsistência e passa a apresentar-se como uma cadeia de oportunidades económicas.
Para uma província com forte tradição agrícola como o Huambo, esta transformação poderá contribuir para dinamizar as economias locais e aumentar o rendimento das famílias que dependem directamente da terra.

O grande desafio será garantir mercado
A produção de citrinos poderá crescer, mas a sustentabilidade do projecto dependerá da capacidade de escoar aquilo que for produzido.
Não basta colocar árvores no solo. É necessário saber quem vai comprar a produção, onde será armazenada, como será transportada e a que preço chegará ao consumidor.
A existência de mercados organizados e contratos de fornecimento entre produtores e compradores poderá reduzir os riscos de perdas após a colheita.
Este aspecto ganha particular importância porque os frutos são produtos perecíveis. Sem armazenamento adequado e transporte eficiente, uma parte significativa da produção poderá perder valor antes de chegar ao consumidor.
A criação de uma cadeia de frio, centros de recolha e unidades de classificação e embalagem poderá, por isso, ser determinante para transformar o aumento da produção numa actividade verdadeiramente rentável.
Uma aposta que pode ultrapassar o Huambo
Se for devidamente estruturada, a produção de citrinos poderá criar uma nova frente de negócio agrícola no Huambo, com capacidade para abastecer não apenas os mercados locais, mas também outras províncias.
A proximidade entre produção, comércio e transformação poderá permitir que uma maior parcela do valor gerado permaneça nas comunidades produtoras.
O desafio colocado às 35 cooperativas será, portanto, transformar a terra em produção, a produção em negócio e o negócio em rendimento.
A próxima época agrícola poderá marcar o início dessa mudança. Mas o verdadeiro resultado da aposta será medido não apenas pelo número de árvores plantadas, mas pela quantidade de fruta que chegar aos mercados, pelo rendimento gerado aos agricultores e pela capacidade de substituir, de forma sustentável, parte dos produtos que actualmente chegam de fora.




































