ENFERMEIROS DENUNCIAM HOSPITAIS DE LUANDA À BEIRA DO LIMITE COM EXCESSO DE PACIENTES
O Sindicato dos Enfermeiros de Luanda denuncia uma realidade preocupante nas unidades hospitalares de referência da capital: excesso de pacientes, equipas reduzidas e profissionais obrigadas a responder por vários serviços ao mesmo tempo.
A situação, segundo a organização, está a aumentar a pressão sobre os enfermeiros e pode comprometer a qualidade da assistência prestada aos doentes.
A falta de profissionais está a deixar enfermeiros sobrecarregados em várias unidades hospitalares de Luanda. Segundo o Sindicato dos Enfermeiros de Luanda, há casos em que um único profissional é obrigado a assegurar o atendimento em três ou quatro secções, podendo chegar a acompanhar até 50 pacientes num só dia.
Afonso Quileba, responsável sindical, considera a situação particularmente grave nos serviços que exigem acompanhamento permanente, onde a quantidade de pacientes contrasta com o reduzido número de profissionais disponíveis.
Entre as unidades apontadas pelo sindicato estão os hospitais de Luanda e do Capalanga, onde, segundo a denúncia, existem secções com dezenas de pacientes internados e apenas um enfermeiro encarregado da assistência.
“Há secções que têm 50 pacientes internados, nos serviços de cirurgia e outros, e só têm um profissional a trabalhar”, denunciou Afonso Quileba.
A pressão aumenta quando o mesmo profissional é chamado a cobrir simultaneamente outros sectores, como o banco de urgência e a pediatria. Para o sindicato, este cenário coloca os enfermeiros perante uma carga de trabalho excessiva e pode reduzir a capacidade de resposta das unidades sanitárias.
A organização alerta ainda que a insuficiência de pessoal pode ser particularmente perigosa perante casos graves, aumentando o risco de falhas na assistência e de situações de alegada negligência médica.
As denúncias surgem numa altura em que o Executivo está a realizar um processo de ingresso de mais de seis mil profissionais de saúde. Para o Sindicato dos Enfermeiros de Luanda, contudo, o número previsto ainda não é suficiente para responder às necessidades actuais dos hospitais.
O sindicato defende, por isso, um reforço mais amplo dos quadros de pessoal, como forma de reduzir a sobrecarga dos enfermeiros e assegurar condições mais adequadas para o atendimento dos pacientes.




































