ATAQUE TERRORISTA NO NIASSA DEIXA UM MORTO E FORÇA 2.700 PESSOAS A FUGIR

Um ataque a um acampamento turístico no distrito de Marrupa, província do Niassa, norte de Moçambique, provocou um morto, um ferido, vários raptos e a deslocação de cerca de 2.700 pessoas, segundo as autoridades locais.

Imagem: visão

O ataque ocorreu no posto administrativo de Marangira, e teve como alvo a Coutada de Marangira, um acampamento de caça associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz.

O secretário de Estado da província do Niassa, Silva Livone, confirmou a ocorrência e informou que, além da vítima mortal, um membro das forças de defesa e segurança ficou ferido, encontrando-se fora de perigo.

De acordo com as autoridades, os atacantes raptaram várias pessoas durante a incursão, enquanto milhares de residentes abandonaram as suas zonas de origem na sequência da violência.

O acampamento da Mozambique Wild Adventures (MWA), de que Carlos Queiroz é coproprietário, foi totalmente destruído e incendiado. Algumas viaturas de empresas locais também foram queimadas e a antena de telecomunicações da região foi vandalizada.

Entre os presentes no local estavam cidadãos norte-americanos que se encontravam na coutada para a prática de caça desportiva. Segundo as autoridades, foram retirados em segurança da zona.

Apesar de as autoridades provinciais garantirem que a situação está controlada, os Estados Unidos emitiram um alerta aos seus cidadãos, recomendando que evitem deslocações à província do Niassa devido aos riscos associados à violência armada.

O ataque ocorre num contexto de insegurança que afecta o norte de Moçambique. Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que, segundo os dados citados pela RFI, já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados.

Desde 2025, a violência tem-se estendido de forma esporádica às províncias vizinhas do Niassa e de Nampula.

Dados do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 novos deslocados em Agosto, enquanto os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026, comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

A incursão no Niassa volta, assim, a colocar em evidência a expansão dos riscos de segurança para além de Cabo Delgado e o impacto da violência sobre as populações e actividades económicas no norte de Moçambique.