CEUTA SEPULTA 18 VÍTIMAS DA TRAGÉDIA MIGRATÓRIA NA FRONTEIRA
Três semanas depois da entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, Ceuta voltou a confrontar-se com o lado mais trágico da crise: 18 pessoas foram sepultadas esta sexta-feira, 21, enquanto dezenas de famílias continuam sem respostas sobre o paradeiro dos seus entes.
Os corpos foram sepultados no cemitério muçulmano de Ceuta, em campas numeradas, enquanto prosseguem os trabalhos de identificação das vítimas. A medida permite que os restos mortais possam ser localizados e reclamados posteriormente pelas respectivas famílias.
Durante a cerimónia fúnebre, um religioso islâmico recitou orações antes de os corpos serem sepultados de acordo com o rito muçulmano, com orientação para Meca.
As 18 vítimas fazem parte de um total de 82 corpos encontrados pelas autoridades espanholas na sequência da chegada massiva de migrantes no final de Julho, considerada uma das crises fronteiriças mais mortíferas registadas em Espanha.
Segundo as autoridades, muitas das vítimas morreram durante a tentativa de atravessar a fronteira, em circunstâncias associadas a afogamentos e a uma avalancha humana. As autoridades espanholas admitem que mais migrantes possam ser enterrados nos próximos dias.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos apelou à suspensão dos enterramentos até que sejam esgotadas todas as possibilidades de identificação e repatriamento dos corpos para Marrocos. A organização defende que as vítimas devem ser devolvidas às suas famílias para receberem um funeral digno.
Milhares de migrantes permanecem ainda em Ceuta depois da entrada em massa registada no final de Julho. As estimativas sobre o número de pessoas que continuam na cidade variam: as autoridades locais apontam para até 10 mil, enquanto o Governo central espanhol estima cerca de cinco mil.
As autoridades espanholas e marroquinas associam a chegada em massa à circulação de rumores nas redes sociais e à actuação de redes de tráfico de pessoas. Alguns migrantes apontam, por outro lado, o desemprego e os baixos salários como factores que motivaram a tentativa de atravessar a fronteira.
Os corpos agora sepultados permanecem identificados apenas por números, numa medida que pretende facilitar a eventual localização e entrega às famílias caso sejam posteriormente identificados.





































