CIDADÃOS EXIGEM SANÇÃO PARA QUEM EXPÕE VÍDEOS ÍNTIMOS

Os cidadãos encaram a divulgação de vídeos íntimos como um acto socialmente reprovável, frequentemente associado a uma estratégia consciente de busca de fama e apelam à responsabilização dos seus autores.

Durante um mês, internautas responderam, através do site do Portal Ponto de Situação, a várias questões em torno da divulgação de conteúdos íntimos, um fenómeno que tem vindo a ganhar terreno na sociedade angolana. 

O caso mais recente envolve uma adolescente que, no próprio vídeo, admitiu ter agido de forma propositada, com o objectivo de aumentar a sua exposição mediática.

Metade dos inquiridos (50%) considera que as redes sociais influenciam indirectamente este tipo de comportamento, enquanto os restantes 50% rejeitam qualquer incentivo directo por parte das plataformas digitais.

Relativamente às motivações por detrás da exposição íntima, 75% dos participantes apontam para uma estratégia consciente de busca de fama, afastando a ideia de ingenuidade por parte dos seus protagonistas. Já 25% entendem tratar-se de uma clara falta de valores e reforçam a percepção de que a decisão é racional, deliberada, com consequências que ultrapassam o foro pessoal e atingem também o seio familiar.

Quanto à gravidade do fenómeno, 75% classificam a divulgação de vídeos íntimos como um sinal de degradação social, enquanto 25% a consideram um problema grave, pelo que exigem respostas urgentes da sociedade e do Estado.

A reacção social face a esta prática foi outro ponto analisado. A maioria dos inquiridos defende uma postura firme caso se depare com situações semelhantes no seu círculo próximo. Assim, 75% afirmam que condenariam a atitude se alguém conhecido recorresse a este expediente para ganhar visibilidade, enquanto 25% optariam por uma abordagem baseada no aconselhamento.

Ainda assim, há um consenso claro: o silêncio não é opção. Os inquiridos consideram que calar-se equivale a compactuar com uma acção considerada reprovável.

100% dos participantes consideram que a fama sem mérito é prejudicial à sociedade e desencorajam veementemente esse caminho. Para muitos, um dos factores que pode contribuir para a continuidade destas práticas é a impunidade. A totalidade dos inquiridos (100%) entende que a legislação em vigor não tem sido suficientemente rigorosa para lidar com este fenómeno.

Do mesmo modo, 100% afirmam que não consumiriam conteúdos produzidos por alguém que tenha alcançado notoriedade através da exposição íntima.

No contexto familiar, as soluções apontadas passam, maioritariamente, pela procura de apoio psicológico e social (50%), seguida do diálogo e orientação sem exposição pública (25%). Outros 25% defenderiam o afastamento na relação com pessoas que adoptam este tipo de comportamento.

Quanto às soluções estruturais, a sociedade divide-se entre a aposta na educação digital nas escolas e nas famílias (50%) e o reforço da responsabilização legal (50%).

Os dados apurados revelam uma sociedade que observa o fenómeno da exposição íntima para ganho de fama com espírito crítico e rejeita claramente a normalização deste tipo de popularidade.

Após este trabalho, o Portal Ponto de Situação vai disponibilizar, nas próximas horas, novas questões para auscultação pública, desta vez em torno da problemática do abuso sexual de menores, um tema recorrente e sensível na sociedade angolana.

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