ESPECIALISTA ALERTA PARA IMPACTO DAS CRENÇAS LIMITANTES NA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL

O especialista em Gestão de Recursos Humanos, António André, alertou que muitos bloqueios que travam o crescimento individual são adquiridos no seio familiar e assegurou que as crenças limitantes têm impacto negativo na vida pessoal e profissional.

Imagem: DR Ponto de Situação

Durante entrevista concedida ao Portal Ponto de Situação, o também palestrante motivacional esclareceu que as crenças limitantes nascem, muitas vezes, em contextos marcados por estereótipos, críticas constantes e ausência de encorajamento.

“Há jovens que crescem na periferia e, quando dizem que querem ser médicos, engenheiros ou gestores, são logo desencorajados com frases como ‘isso não é para ti’. Essas mensagens vão sendo absorvidas e transformam-se em verdades absolutas na mente da pessoa”, afirmou.

O especialista avançou que o primeiro núcleo de formação emocional do indivíduo é a família, pelo que aconselha os seus membros a manterem uma relação que favoreça o progresso com ideias positivas.

António André explicou que os pais que utilizam expressões depreciativas, como “não vais ser nada na vida”, acabam por fragilizar a autoconfiança dos filhos, que crescem com esse pensamento enraizado no seio familiar.

“A criança cresce a acreditar que é aquilo que ouve. Se for constantemente rotulada de incapaz, vai interiorizar essa identidade e, mais tarde, isso reflecte-se no desempenho escolar, social e profissional”, acrescentou.

Questionado sobre o impacto do excesso de protecção, o especialista esclareceu que também pode ser prejudicial.

“O mundo não dá mimos. É preciso preparar os filhos para enfrentar críticas, desafios e frustrações com resiliência”, sublinhou.

Limitações no mercado de trabalho

Relativamente ao impacto das crenças limitantes no campo profissional, apontou que muitos trabalhadores auto-excluem-se de oportunidades por acreditarem que não têm perfil ou influências suficientes para alcançar determinados cargos.

“Há pessoas que dizem: nunca vou trabalhar na Sonangol, na Endiama ou num grande grupo empresarial, mas nem sequer tentam preparar-se para isso. A crença vem antes da tentativa”, frisou.

Para António André, o primeiro passo para reverter o quadro passa pela identificação dos pensamentos negativos recorrentes. Em seguida, recomenda que sejam colocados no papel e confrontados com acções concretas de capacitação.

Como ferramentas essenciais para romper essas barreiras, sugere a formação contínua, o desenvolvimento da inteligência emocional, o autoconhecimento e a autoconfiança.

O palestrante aconselhou ainda os pais e demais membros da família a cultivarem um ambiente salutar, baseado no amor, no encorajamento e na disciplina equilibrada.

“Tudo começa no berço. Se fragilizarmos uma criança desde cedo, ela cresce com bloqueios. Precisamos formar adultos livres de crenças limitantes”, defendeu.

Dirigindo-se à juventude, considerada pilar fundamental para o progresso social, apelou para que não coloque obstáculos no seu quotidiano, defendendo a superação constante como caminho.

Entre outras consequências, referiu que as crenças limitantes podem gerar isolamento, insegurança e até problemas psicológicos, mas reforçou que é possível superá-las com preparação, persistência, mudança de mentalidade e recurso a apoio especializado.

De referir que, as crenças limitantes são entendidas como ideias que uma pessoa assume como verdades absolutas sobre si própria, sobre os outros ou sobre o mundo, mas que, na prática, funcionam como travões invisíveis.

LEIA TAMBÉM: ANALISTA POLÍTICO CONSIDERA POSITIVO LEGADO DE MARCELO REBELO DE SOUSA À FRENTE DE PORTUGAL