MORADORES E PRESUMIVEIS INVASORES MEDEM FORÇAS POR 412 HECTARES DE TERRAS
Residentes e empresários do Kilamba Norte, em Luanda, denunciaram a invasão de 412 hectares de terrenos, após a chegada de mais de 200 homens que impediram a continuidade das obras e bloquearam várias ruas com contentores.
Segundo apurou o Ponto de Situação, o incidente ocorreu na segunda-feira, 20 de Outubro de 2025, por volta das 12h00, no município do Kilamba.
Uma das fontes explicou que adquiriu um terreno em Março do corrente ano, através da empresa Deira Bosner Center, por seis milhões de kwanzas, pagos em três prestações.
“A confusão começou há três dias. Este pessoal diz ter documentos de 412 hectares. Queremos saber como a empresa Deira está a tratar esta situação”, afirmou o denunciante.
Já Virgínia Kiala, proprietária de um terreno de 20 por 20 metros, contou que a Deira Bosner Center lhe garantiu que há vários clientes na mesma situação.
“Eles disseram que estão a resolver o problema. Só queremos dormir descansados, sem medo de perder os nossos bens”, lamentou e denunciou que materiais de construção, como areia, brita e cimento, foram roubados das obras.
Virgínia Kiala afirmou ainda possuir toda a documentação reconhecida pelo Cartório do Benfica e que a empresa chegou a convocar alguns clientes para regularização dos papéis naquele cartório.
A jovem, de cerca de 35 anos, visivelmente agastada, desabafou ao Ponto de Situação que o conflito “está longe do fim”.
De acordo com testemunhas, mais de 200 homens vestidos de preto têm impedido técnicos e pedreiros de trabalhar, alegando serem os legítimos proprietários dos terrenos. Os moradores e investidores encontram-se impedidos de aceder às suas obras e o medo tem crescido entre os clientes, sobretudo após vídeos e mensagens sobre o caso circularem nas redes sociais, em grupos com mais de 70 compradores.
Neste momento, as obras estão paralisadas, materiais como areia, blocos e brita permanecem no local, enquanto o receio de novos confrontos adia o sonho da casa própria no Kilamba Norte.
Manuela Agostinho revelou ter adquirido o seu terreno em Fevereiro deste ano, concluindo o pagamento em Setembro.
“Pagamos por prestações. Durante o pagamento, não podíamos construir. Depois de concluído, recebemos a licença da Administração e alguns vizinhos começaram a erguer as casas”, contou.
Já Manuel Agostinho, que comprou o seu lote por sete milhões de kwanzas, afirmou aguardar um pronunciamento oficial da Deira Center para esclarecer a origem do conflito.
“Soube da invasão através do grupo das redes sociais de que faço parte”, relatou.
As autoridades locais ainda não se pronunciaram sobre o caso, a pesar do trabalho desenvolvido em busca do contraditório. Os moradores pedem intervenção urgente para garantir a segurança e o direito à propriedade privada na zona do Kilamba Norte.













































