ONU: CIVICOP APRESENTADA COMO MODELO DE RECONCILIAÇÃO

Angola apresentou na sexta-feira, 26, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, a experiência da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) como um exemplo de reconciliação nacional e consolidação da paz.

Imagem: O País

A experiência, como refere o JA, foi transmitida pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, durante a Sessão Anual da Comissão de Consolidação da Paz, realizada no âmbito das celebrações do 20.º aniversário da Arquitectura de Consolidação da Paz da ONU.

Segundo uma nota da Missão Diplomática de Angola na ONU, na sua intervenção o embaixador destacou o contributo da Comissão na promoção da coesão social e da estabilidade.

O diplomata afirmou que a trajectória de Angola demonstra a importância da apropriação nacional, do diálogo inclusivo e das parcerias sustentadas na prevenção de conflitos e na promoção da estabilidade.

Segundo Francisco José da Cruz, após décadas de conflito, o país consolidou a paz através do fortalecimento das instituições, da reconstrução nacional e da implementação de iniciativas destinadas à reconciliação e à preservação da memória colectiva.

Neste contexto, salientou o trabalho desenvolvido pela CIVICOP na localização, identificação e entrega às respectivas famílias dos restos mortais das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 1975 e 2002.

O diplomata considerou que o processo permitiu a realização de cerimónias fúnebres condignas e constituiu um importante gesto de reconhecimento, respeito e solidariedade para com milhares de cidadãos afectados pelos conflitos políticos.

Acrescentou que a iniciativa reforça a confiança entre os cidadãos, preserva a memória colectiva e contribui para o fortalecimento da unidade nacional, assente nos princípios da dignidade humana, inclusão e respeito pelas vítimas.

Durante a sessão, o representante permanente sugeriu igualmente um maior investimento internacional na prevenção de conflitos e na consolidação da paz, sublinhando a necessidade de uma actuação mais integrada e sustentável das Nações Unidas em apoio às prioridades definidas pelos Estados-membros.

Francisco José da Cruz reiterou que os resultados mais duradouros são alcançados quando as respostas internacionais complementam os esforços nacionais e se mantêm para além das fases imediatas do pós-conflito.

Ao abordar as perspectivas futuras, reafirmou o compromisso de continuar a promover a diplomacia preventiva, o diálogo inclusivo e a partilha de experiências com países em processo de recuperação pós-conflito.

Crianças e os conflitos armados

Ainda na quinta-feira, durante o Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Crianças e Conflitos Armados, Francisco José da Cruz realçou os progressos registados na implementação desta agenda das Nações Unidas, entre os quais a libertação de mais de 220 mil crianças anteriormente associadas a forças e grupos armados.

O diplomata manifestou, contudo, preocupação com a persistência de graves violações contra crianças em cenários de conflito, sobretudo em África, defendendo o reforço da sua protecção e a responsabilização dos autores dessas violações.

Ao assinalar o 30.º aniversário da agenda Crianças e Conflitos Armados, Angola apelou ao reforço do apoio político, técnico e financeiro da comunidade internacional.

Reiterou que a protecção da infância deve centrar os esforços internacionais de paz e segurança, reafirmando o compromisso de Angola com a defesa dos direitos e do bem-estar das crianças em conflitos armados.